Manaus/AM - Subitamente desprestigiado em relação aos outros astros celestes, Plutão serve de mote para uma série de indagações sobre o que nos conduz à morte e a qual sistema pertencemos, numa abordagem das crises sociais contemporâneas, na nova montagem do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas.
Trata-se do espetáculo de dança Plutão (Já foi planeta), que estreia em nova fase na próxima terça-feira (15), às 20h, no Teatro Amazonas, com entrada gratuita. A montagem, com coreografia de Rodrigo Vieira e execução do Balé Experimental, sob a direção de Monique Andrade, abre a segunda temporada do projeto Alma de um Poeta, realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura.
A montagem se baseia no poema “Tempo de Uiaúa”, do amazonense Anibal Beça, e leva ao palco, por meio da dança, uma reflexão crítica sobre a situação das minorias sociais estabelecendo uma relação entre elas com Plutão, considerado Planeta Anão em 2006, por não se adequar ao tamanho associado a essa categoria. A leitura abrange ainda o discurso astrológico, que afirma que o astro celeste também revela todos os problemas de um indivíduo, fazendo-o conhecer do inferno ao divinal.
A história de Plutão e seu rebaixamento no Sistema Solar serviu de referência para que Vieira e os bailarinos da companhia buscassem o seu “inferno” e o seu “divino”, na construção do arcabouço da obra. “Fiz uma comparação do planeta com as classes excluídas, que são marginalizadas pela sociedade, como os negros, as mulheres, os homossexuais e todos os que enfrentam dificuldades para serem respeitados e que necessitam ter representantes em todos os setores sociais”, destaca o bailarino e coreógrafo.
A luta por aceitação e representatividade são temas presentes na contemporaneidade, na visão de Vieira, que reafirma sua pesquisa coreográfica relacionando essas questões a uma das enigmáticas frases do poema de Anibal Beça: “O rio onde os peixes nascem é o mesmo que os mata”.
Plutão (Já foi planeta) será reapresentado nos dias 30 e 31 de agosto, às 19h, no Teatro da Instalação, localizado na rua Frei José dos Inocentes, S/Nº, Centro, com entrada franca.
Alma de um Poeta – Iniciado em 2015, durante um workshop do Corpo de Dança do Amazonas para o Balé Experimental, o projeto Alma de um Poeta de Dança Contemporânea tem como proposta de homenagear escritores e poetas amazonenses renomados. Um olhar crítico e filosófico sobre as entrelinhas do poeta convidado.
O movimento da escrita do autor, a multiplicidade de ritmos e imagens, que transcrevem o homem amazônico, refletindo sobre os aspectos humano, sustentável, cultural e social se refletem nos movimentos de dança do corpo de balé.
A partir de pequenas performances, o projeto foi sendo construído, inscrito no Ministério da Cultura e aprovado em 2016. Obteve, ainda, aprovação junto ao Boticário na Dança, pelo qual foi patrocinado e lançado, e hoje conta com uma média 14 espetáculos realizados, apenas na primeira temporada realizada de março a julho deste ano, com uma estimativa de quase 2 mil espectadores.
O projeto envolve desde oficinas de danças contemporâneas até palestra e espetáculos no Teatro Amazonas, Teatro da Instalação, Sumaúma Park Shopping e Centro Cultural dos Povos da Amazônia, e nesta nova fase, de acordo com Vieira, apresenta novas experimentações, para que cada um possa ser ‘tocado’ de forma especial, de acordo com a leitura que fizer do espetáculo.

