Manaus/AM - O polêmico "Trecho do Meio" da BR-319 foi palco de mais um acidente na tarde desta sexta-feira (17). Uma carreta-baú carregada de pneus tombou na altura do quilômetro 479, após deslizamento causado por fortes chuvas na região do distrito de Humaitá. O veículo, que vinha de Goiás, acabou parando no acostamento, gerando retenção no tráfego de outros caminhões.
O motorista Francisco de Paula, de 66 anos, sofreu apenas ferimentos leves, mas o susto foi grande: em 48 anos de profissão, este foi o seu primeiro acidente. Ele atribuiu o tombamento à precariedade da via, que não possui pavimentação asfáltica no trecho.
O socorro veio de uma equipe de documentaristas que realizava uma expedição pela rodovia. O empresário e ativista ambiental Matheus Garcia, que liderava o grupo, prestou os primeiros socorros e levou o motorista até um ponto de assistência após 40 minutos de trabalho.
“A situação é triste como um todo. Fico feliz que estávamos na hora e no lugar certo para prestar socorro ao motorista. Infelizmente, a 319 sempre foi utilizada como palanque, de ONGs sudestinas e sulistas, e ignora quem vive e precisa dela. Precisamos trazer atenção e luz à situação da BR, segurança aos que trafegam, e com os cuidados necessários de atenção ao meio ambiente. Uma estrada abandonada não é igual a uma estrada preservada”, afirmou Garcia.

Garcia aproveitou o episódio para criticar o debate ideológico em torno da estrada, que liga Manaus a Porto Velho.
O acidente reforça a histórica discussão sobre a repavimentação da BR-319, alvo de impasses judiciais e ambientais há décadas. Enquanto o asfalto não chega, o trecho permanece intrafegável em períodos de chuva, isolando comunidades e colocando em risco a vida de trabalhadores do transporte de cargas.



