Manaus/AM - A jovem indígena Emanuelle Õkapa, da etnia Apurinã, celebra seus primeiros 40 dias como estudante de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Natural de Tapauá, a caloura de 17 anos só conseguiu garantir sua vaga após uma corrida contra o tempo que uniu as Defensorias Públicas do Estado (DPE-AM) e da União (DPU) em uma estratégia jurídica inédita.
Aprovada pelo Sisu antes de concluir o Ensino Médio, Emanuelle enfrentou um obstáculo legal: por ser menor de 18 anos, ela não poderia recorrer ao supletivo para obter o certificado de conclusão. Com um prazo de apenas cinco dias para a matrícula, a família buscou auxílio da Defensoria em Tapauá.

Para evitar a perda da vaga, os defensores estruturaram um mandado de segurança que solicitava não o supletivo, mas um exame final extraordinário de aferição de conhecimento. A tese permitiu que ela concluísse o 3º ano antecipadamente na rede estadual, enquanto a DPU garantia a reserva da vaga na esfera federal.
A decisão favorável saiu em tempo recorde, permitindo que a jovem, que estudou sozinha em casa sem cursinhos particulares, realizasse o sonho de infância inspirado por programas de TV e pelo contato com a natureza no interior.
Para a mãe, Isa Santarém, a conquista é um marco para a comunidade. "Ela ser de uma família humilde, do interior, e acessar esse direito por esforço próprio e com apoio da Defensoria significa muito. Ela será referência para outros jovens", celebrou. O caso agora serve de parâmetro jurídico no Amazonas para outros estudantes aprovados precocemente na universidade.



