Manaus/AM - A Justiça do Amazonas atendeu a um pedido do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e determinou a transferência de 14 custodiados da 69ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Guajará para unidades prisionais em Manaus. A medida busca reduzir riscos à segurança da unidade policial e melhorar as condições de custódia dos detentos. Até o momento, 10 presos já foram transferidos na última segunda-feira (22).
A decisão foi motivada por um motim registrado no dia 12 de junho de 2026, que expôs graves problemas estruturais e operacionais na delegacia. Segundo o MPAM, a inspeção realizada após o episódio identificou danos nas celas, nas paredes e na cobertura do corredor, além de ações dos detentos que teriam provocado curto-circuito e comprometido a energia e o sinal de internet da unidade.
Durante a apuração, também foram encontrados registros que indicavam tentativas de fuga, com presos tentando acessar o telhado da delegacia. O relatório do Ministério Público aponta ainda superlotação na unidade, que possui apenas duas celas, mas abrigava 45 detentos no momento do motim. O documento também destaca a atuação de integrantes de uma facção criminosa dentro da delegacia, com uso de celulares e ameaças a servidores.
Segundo o promotor de Justiça Ney Costa Alcântara de Oliveira Filho, a medida representa um marco para o município. “Esta é a primeira vez na história do município que integrantes de facções criminosas são transferidos do município para a capital amazonense”, afirmou. A decisão judicial também prevê multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, direcionada a órgãos estaduais responsáveis pela segurança e administração penitenciária.
O episódio do motim ocorreu quando cerca de 20 detentos iniciaram a ação nas celas 1 e 2 da unidade, em sua maioria ligados ao Comando Vermelho. Após a contenção da situação, foi reforçada a necessidade de transferência imediata de parte dos custodiados considerados de maior risco, sob argumento de que a permanência deles na delegacia representava ameaça à segurança de servidores, da população e da estrutura pública local.



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