Manaus/AM – Os policiais militares da Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM), no bairro Monte das Oliveiras, estão se recusando a deixar o presídio para serem levados ao novo estabelecimento preparado para eles no quilômetro 8 da BR-174, na manhã desta terça-feira (12).

Segundo o advogado Henrique Vasconcelos, a decisão foi tomada pelos detentos porque nem mesmo suas defesas foram informadas previamente sobre a transferência. O grupo alega que o fato de serem levados para o mesmo complexo onde já funcionam outros presídios representa um risco iminente à segurança, já que nesses locais estão pessoas que foram presas pelos próprios agentes e que poderiam tentar vingança.
“Os policiais estão se negando a sair porque foi informado que eles seriam levados para o complexo penitenciário no km 8. Um policial militar não pode ser preso junto com presos comuns. Até pode acontecer, mas a maioria dos policiais que ali estão foi responsável pela prisão de muitos dos detentos que estão no complexo. Então, existe esse problema”, explicou.

Conforme o advogado, pesa ainda o fato de que nenhum documento legal sobre a transferência teria sido apresentado aos presos ou aos seus defensores. Por conta disso, os detentos solicitaram a presença de um representante para tratar da questão documental.
“Há também a falta de documentação que comprove a operação. Nós já solicitamos, mas até o presente momento nada nos foi apresentado. Não sabemos se essa operação é da própria Polícia Militar, se é do Ministério Público ou da Vara de Execuções Penais. Então, ficamos aguardando respostas das autoridades para esclarecer o que será feito com esses policiais”, afirmou.
A pessoa escolhida para "negociador" a fim de acompanhar o processo foi o ex-cabo da PM, Gutemberg Silva, presidente da Associação de Praças dos Policiais e Forças Militares do Amazonas.

Os militares afirmam que não deixarão o local enquanto o impasse não for resolvido e não houver garantias de segurança.
“O problema é que não há qualquer documento apresentado. Os presos estão totalmente encurralados. Vou explicar: em fevereiro houve uma operação que levou 17 presos para o Comando Geral, e eles foram declarados procurados. Agora, os detentos têm medo de novamente haver uma arbitrariedade do Estado contra eles”, enfatizou Henrique.
A situação segue tensa no local e não há previsão para o horário da transferência.



