Manaus/AM As unidades de saúde de Manaus realizaram, até o momento, 107 atendimentos a pacientes com sintomas relacionados ao vazamento de estireno ocorrido no Distrito Industrial. Desse total, 104 pessoas já receberam alta médica e três continuam internadas sob observação. Os dados foram divulgados pelo secretário de Estado de Saúde, Luiz Alberto Saraiva, que detalhou a estrutura de resposta montada para o incidente e comentou sobre um óbito registrado na madrugada, que está sob investigação.
O secretário explicou que, logo após a confirmação do sinistro, foi criada uma equipe de crise para orientar toda a rede de saúde estadual. O fluxo de atendimento foi direcionado principalmente para pessoas que apresentavam irritações ou complicações respiratórias provocadas pelo forte odor decorrente do vazamento químico.
Luiz Alberto Saraiva trouxe esclarecimentos detalhados sobre a morte de um homem de 67 anos que deu entrada em uma unidade de saúde relatando contato com o cheiro do gás. O gestor enfatizou que, do ponto de vista técnico e médico, não há elementos que liguem o falecimento à inalação da substância.
"Infelizmente o paciente evoluiu a óbito durante a madrugada, mas os sintomas apresentados e a declaração de óbito, em conversa com a equipe médica, não apontam relação com intoxicação. Tratava-se de um paciente com múltiplas comorbidades, que já sofria de doença pulmonar obstrutiva crônica em estágio muito avançado, com histórico de várias internações anteriores, além de cardiopatia grave", declarou o secretário.
Saraiva acrescentou que o caso foi encaminhado à Polícia Civil para apuração e perícia técnica por protocolo, mas reforçou a improbidade de causalidade com base nas diretrizes internacionais de segurança química: O idoso residia no Centro de Manaus, uma região consideravelmente distante do Distrito Industrial.
Os protocolos internacionais estabelecem um raio de contaminação crítica de até 300 metros para vazamentos de gás sem combustão (e de até 800 metros apenas em cenários de explosão).
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) mantém suas equipes e unidades de prontidão para prestar assistência imediata a qualquer cidadão afetado pelo odor residual.
O secretário orienta que os moradores de Manaus fiquem atentos a reações adversas e busquem ajuda médica caso manifestem sintomas incomuns.
"A orientação para toda a população é que, se começar a sentir dor nos olhos, dor de garganta, falta de ar ou mesmo uma distensão abdominal incomum, procure imediatamente uma unidade de saúde. Ao ser atendido, relate aos médicos que se trata de um sintoma novo", recomendou Saraiva.
Paralelamente às ações de socorro médico, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) confirmou que a licença de operação da empresa onde ocorreu o vazamento está regular e vigente.
Analistas e engenheiros químicos do órgão atuam em conjunto com o Corpo de Bombeiros no monitoramento do perímetro do Distrito Industrial. O plano de ação de emergência da fábrica foi acionado conforme manda a legislação, e as equipes do Ipaam agora concentram esforços em analisar e minimizar possíveis impactos ambientais de médio e longo prazo decorrentes do incidente.



Aviso