Manaus/AM - O Ministério Público do Amazonas (MPAM) determinou, nesta quinta-feira (27), que o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso do menino Benício Xavier, que morreu em novembro de 2025 no Hospital Santa Júlia, se abstenha de conceder entrevistas ou divulgar informações parciais até a conclusão do inquérito policial, sob risco de afastamento da condução do caso. A investigação deverá ser finalizada em até 45 dias e encaminhada ao Judiciário.
A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre a condução do inquérito. A defesa da médica Juliana Brasil Santos, conduzida pelo advogado Sérgio Figueiredo, protocolou uma petição junto à 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, na terça-feira (24), solicitando o afastamento do delegado. Os advogados alegam vazamento de informações sigilosas e manipulação da opinião pública, especialmente após declarações que teriam divulgado detalhes de um relatório de extração de dados do celular de Juliana.
Um dos pontos centrais do impasse envolve um vídeo do sistema hospitalar TASY, usado para prescrições médicas. O delegado Marcelo Martins afirmou que a médica teria "encomendado e pago" pela adulteração do arquivo para justificar um suposto erro médico. A defesa contestou, esclarecendo que o vídeo foi gravado originalmente pelas Dras. Vanessa Mendes e Érika Cartanhede, sem qualquer indício de adulteração, e que nenhuma perícia técnica oficial foi realizada.
A defesa de Juliana também sustenta que a divulgação de informações sensíveis coincidiu com o depoimento da irmã da médica, criando, segundo os advogados, uma narrativa distorcida para influenciar o Tribunal do Júri. Por isso, além do afastamento do delegado, foi solicitado à Corregedoria da Polícia Civil do Amazonas que apure o vazamento de dados, entregue o código hash e forneça a cadeia de custódia das provas digitais.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades competentes, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas. O inquérito, instaurado no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Manaus, mobiliza equipes do Ministério Público e da Polícia Civil, enquanto a defesa de Juliana acompanha de perto cada etapa do processo.


