Manaus/AM - A terceira e última noite do 59º Festival Folclórico de Parintins foi marcada por um dos momentos mais emblemáticos da festa: a encenação do Auto do Boi, narrativa que dá origem ao folguedo e permanece como um dos pilares da tradição cultural amazônica. Com uma produção grandiosa, efeitos visuais e forte carga dramática, o espetáculo emocionou o público ao retratar a morte e a ressurreição do boi, em uma das passagens mais aguardadas da apresentação no Bumbódromo.
A história do Auto do Boi gira em torno de Pai Francisco, vaqueiro que mata o boi mais valioso do fazendeiro para atender ao desejo de sua esposa, Mãe Catirina, grávida e com vontade de comer a língua do animal. Ao descobrir o ocorrido, o fazendeiro exige que o boi seja trazido de volta à vida. A partir daí, pajés, curandeiros e personagens do imaginário popular entram em cena até que o boi é ressuscitado, simbolizando a força da fé, da esperança e da renovação das tradições populares.
O momento também contou com a entrada da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que teve participação de destaque na encenação. Em meio à arena do Bumbódromo, a item emocionou o público ao surgir tocando violino, em uma performance que ampliou a carga poética e sensorial da apresentação.
Mais do que um dos quesitos avaliados pelos jurados, o Auto do Boi representa a essência do Festival de Parintins. A cada ano, Caprichoso e Garantido reinventam essa narrativa sob diferentes linguagens artísticas, preservando uma tradição centenária que mistura influências indígenas, africanas e europeias e reafirma a força da cultura amazônica diante de milhares de espectadores no maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo.



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