Manaus/AM - Mouhamad Moustafá, acusado de de liderar um esquema que desviou verba da saúde, usava policiais militares para escolta particular. A afirmação consta na delação premiada da ex-sócia do médico, Jennifer Nayara da Silva, que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na delação, Jennifer afirma que o chefe da segurança de Mouhamad era o ex-subcomandante da PM do Amazonas, coronel Aroldo Ribeiro, preso em dezembro com os ex-secretários na terceira fase da operação ‘Maus Caminhos’ denominada ‘Custo Político’.
Segundo a ex-sócia do médico, Aroldo Ribeiro recebia dinheiro da advogada Priscila Marcolino e distribuía a quantia entre os policiais, que trabalhavam em regime de plantão recebendo R$ 700 por semana. Jennifer não soube informar a quantia que o coronel recebia pelo serviço.
Em 2016, um vídeo gravado em Goiânia mostra que o médico estava sendo escoltado pela Polícia Militar. Nas imagens, Mouhamad estava a caminho de um show sertanejo e entrou em contato com o coronel para reclamar “Coronel, não tem como o Porto mandar esse pessoal ai da polícia ir mais arrochado aí não? Pra ir mais rápido aí, pra gente chegar logo lá. É que eles estão muito lentinho. Parecendo comboio de velório, pô!”, diz no vídeo.
Ainda na delação, Jennifer conta que recebeu 5 visitas de policiais que perguntavam como ela estava e se gostaria mandar alguma mensagem para Moustafa. A enfermeira, também acusada de envolvimento no esquema de desvio de verba, responde ao processo em liberdade.
Em nota, a Polícia Militar de Goiás afirma que não faz escolta particular e que nenhum comando foi autorizado nesse sentido. Um inquérito será aberto para apurar o fato. Procurado, o coronel Aroldo Ribeiro não se manifestou sobre as acusações.

