Início Andréa G. Ribeiro Em um mundo de vozes, quem ainda sabe ouvir?
Andréa G. Ribeiro

Em um mundo de vozes, quem ainda sabe ouvir?

Andréa G. Ribeiro
Por Andréa G. Ribeiro
01/08/2026 16h21 — em Andréa G. Ribeiro

Vivemos cercados de vozes. Todos têm algo a dizer, uma opinião a defender, uma resposta pronta. Em meio a tanta pressa para falar, muitas vezes também somos rápidos em tirar conclusões, sem conhecer a história por inteiro ou dar ao outro a oportunidade de se explicar. Escutar de verdade exige presença, tempo e, acima de tudo, a disposição de compreender antes de responder. Nem sempre quem fala mais é quem melhor se comunica.

Quem sabe ouvir percebe o que nem sempre é dito. Há silêncios que carregam cansaço, inseguranças escondidas atrás de um sorriso e sentimentos que muitas vezes não encontram palavras. Em uma época de relações cada vez mais rápidas, em que muitos vínculos se desfazem com facilidade, a escuta se tornou uma demonstração rara de cuidado. As chamadas relações líquidas, marcadas pela dificuldade de permanecer e pela facilidade de se afastar, revelam o quanto precisamos resgatar a presença verdadeira.

Nas amizades, ouvir é uma forma de dizer “eu me importo”. Nem sempre o outro precisa de respostas prontas ou soluções imediatas; muitas vezes, precisa apenas de alguém que permaneça ao seu lado, que acolha sua história e permita que ele seja quem é, sem medo de julgamentos.

No amor, a escuta também é uma das maiores provas de afeto. Um relacionamento não se sustenta apenas por sentimentos intensos ou palavras bonitas, mas pela capacidade de compreender, respeitar diferenças e perceber aquilo que o outro nem sempre consegue expressar. Amar também é prestar atenção, é enxergar além das próprias necessidades e construir um espaço onde os dois possam ser ouvidos.

Talvez a arte de ouvir seja uma das formas mais bonitas de conexão humana. Em um mundo em que muitos querem ser vistos, poucos se dedicam a realmente enxergar o outro. E talvez seja justamente aí que mora a diferença: algumas palavras podem ser esquecidas, mas a sensação de ter sido verdadeiramente ouvido permanece.

Por Andréa G. Ribeiro

Andréa G. Ribeiro

Andréa G. Ribeiro

Advogada • Cirurgiã-Dentista • Especialista em Direito Médico, Odontológico e da Saúde • Conselheira do CRO-AM • Membro da Comissão de Ética do CRO-AM • Membro da Comissão de Direito Odontológico Nacional da ABA • Membro da Comissão da Mulher em Odontologia do Conselho Federal de Odontologia (CFO) • Membro da ALACA • Dama Comendadora Grã-Cruz da CBC • Escritora

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