Poucos patrimônios são tão valiosos para uma sociedade quanto a confiança. Ela não se constrói apenas por leis, contratos ou decisões judiciais. Nasce, sobretudo, da certeza de que as pessoas honrarão os compromissos que assumem.
A palavra dada continua sendo um dos pilares invisíveis sobre os quais se sustentam as famílias, as relações profissionais, os negócios e as instituições públicas.
Na política, essa virtude adquire dimensão ainda maior. Governantes administram recursos que pertencem à sociedade, tomam decisões que influenciam o presente e moldam o futuro de gerações. Por isso, sua credibilidade não se mede apenas pela capacidade de formular propostas, mas pela coerência entre aquilo que anunciam e aquilo que efetivamente realizam ao longo da vida pública.
Não por acaso, em meio às convenções partidárias que antecedem as eleições de 2026, um aspecto voltou a ocupar espaço nos discursos políticos: o valor da palavra.
É justamente aí que reside a essência da democracia. O voto consciente não deve nascer apenas da simpatia, da publicidade ou da força dos palanques. Ele exige memória, senso crítico e capacidade de comparar aquilo que cada homem público disse com aquilo que efetivamente fez.
Promessas podem entusiasmar; a coerência entre palavra e conduta é que constrói confiança.
Talvez essa seja uma das reflexões mais relevantes desta campanha. Entre tantos debates sobre economia, saúde, segurança, educação e infraestrutura, vale perguntar quais candidatos construíram uma reputação baseada na previsibilidade, na lealdade aos compromissos e no respeito à palavra empenhada.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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