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Amazonas andando para trás em sucessivos governos

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Por Holanda
21/06/2026 23h11 — em Coluna do Holanda
  • Permanece, em parte do debate público, a percepção de que o intenso fluxo diário pela ponte Rio Negro não se converteu em maior capacidade de atração econômica, turística e de serviços para Iranduba e Manacapuru, que seguem marcadas por limitações estruturais e forte dependência de transferências públicas.

Mais de uma década após sua inauguração, a Ponte Rio Negro continua gerando questionamentos que vão além da própria obra. O debate envolve não apenas os impactos ambientais e o licenciamento, mas também os resultados econômicos e sociais efetivamente produzidos.

As expectativas de integração e dinamização regional ainda alimentam indagações sobre os efeitos concretos da ponte em municípios como Iranduba e Manacapuru.

Permanece, em parte do debate público, a percepção de que o intenso fluxo diário pela ponte Rio Negro não se converteu em maior capacidade de atração econômica, turística e de serviços para os dois municípios, que seguem marcadas por limitações estruturais e forte dependência de transferências públicas.

Estradas, mineração, energia, produção agrícola, portos e outras obras de infraestrutura acabam colocando sob tensão grupos de interesse, proteção da floresta e direitos de populações tradicionais.

O problema é que, em casos como o da ponte Rio Negro, nem sempre geram desenvolvimento na medida anunciada e esperada. Ao contrario, valorizam terras antes isoladas de propriedade de grupos políticos poderosos. Esses ganham antes e depois da obra.

Essas controvérsias expõem duas realidades. A primeira é que a qualidade dos estudos ambientais e a previsibilidade do licenciamento se tornaram decisivas para a viabilidade de grandes projetos. A segunda é que obras de infraestrutura, por si sós, não garantem desenvolvimento, que depende de planejamento e de políticas capazes de transformar investimentos em benefícios concretos.

A experiência da Ponte Rio Negro evidencia, assim, um desafio estrutural do Amazonas: incapacidade de impedir a infiltração de grupos de interesse, ligados a latifúndios; ausência de projetos turísticos para as cidades polos, falta de projetos de desenvolvimento, infraestrutura e proteção ambiental.

Mas tudo ou quase tudo no Amazonas é feito nas coxas. E a conta que chega é para o cidadão pagar.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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