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Bets consomem orçamento doméstico dos amazonenses e entram no debate eleitoral

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Por Holanda
02/07/2026 01h37 — em Coluna do Holanda
  • O Amazonas precisará decidir não apenas como produzir riqueza, mas também como preservá-la na economia regional e nas famílias. O desenvolvimento não depende apenas de atrair investimentos ou ampliar o PIB.
  • Depende também da capacidade de enfrentar novos fenômenos econômicos e sociais que podem comprometer renda, consumo, educação, saúde mental e perspectivas de futuro. É uma pauta de governança e, por isso, deve ocupar lugar de destaque no debate público.

Durante décadas, o debate sobre o desenvolvimento do Amazonas concentrou-se na Zona Franca, infraestrutura, integração regional, mineração, bioeconomia e preservação ambiental. Todos continuam essenciais.

As eleições de 2026 oferecem a oportunidade de incorporar um novo desafio, silencioso e de grande impacto: o avanço das apostas virtuais sobre a economia das famílias. Enquanto o Estado busca crescer, convive com elevado endividamento e novas formas de drenagem da renda disponível.

Não se trata de condenar uma atividade econômica lícita. As bets movimentam investimentos, patrocinam o esporte, geram arrecadação e integram a economia digital.

O problema surge quando deixam de disputar apenas o mercado do entretenimento e passam a disputar diretamente o orçamento doméstico.

Recursos que antes circulavam no comércio, nos serviços ou na educação dos filhos podem migrar para plataformas digitais, produzindo efeitos que ultrapassam a esfera individual e alcançam a economia regional.

Essa realidade dialoga de forma particular com o Amazonas. Em um Estado marcado por desigualdades regionais, renda limitada em muitos municípios e forte dependência do consumo interno, cada parcela da renda familiar possui elevado valor social.

Quando pesquisas apontam participação significativa dos amazonenses nas apostas e a associam ao aumento do endividamento, o tema deixa de ser apenas privado e ingressa no campo das políticas públicas.

A resposta, porém, não pode ser simplista.

Seria um equívoco transformar o Estado em tutor permanente das escolhas individuais. A livre iniciativa, a autonomia da vontade e a autodeterminação são pilares do Estado Democrático de Direito.

Adultos são, em regra, livres para fazer escolhas, inclusive as que envolvem riscos. O desafio institucional é encontrar o equilíbrio entre proteger pessoas vulneráveis, especialmente crianças, adolescentes e jogadores compulsivos, sem substituir a liberdade responsável por paternalismo excessivo.

Este é um dos debates mais relevantes das eleições de 2026.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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