A controvérsia em torno da BR-319 — com decisões judiciais que se sucederam, suspendendo e depois liberando as obras — recolocou no centro da agenda um impasse: como conciliar proteção ambiental e desenvolvimento em uma região que segue isolada e carente de soluções concretas?
Não se trata apenas de uma estrada, mas de um modelo de decisão sobre o futuro da Amazônia.
O senador Eduardo Braga passou a criticar o que chamou de “judicialização de obras estratégicas”.
A expressão comporta múltiplos sentidos: pode traduzir uma preocupação legítima com a interferência judicial em políticas públicas, mas também pode sugerir, se empregada de forma imprecisa, a tentativa de deslegitimar instrumentos legais de controle ambiental que integram o próprio Estado de Direito.
Quando a discussão se desloca para acusações frágeis — ainda mais quando desmentidas publicamente — perde-se o foco do essencial.
O ponto de inflexão não está na crítica — está no desvio do debate.
É preciso afirmar com clareza: há críticas consistentes à condução da política ambiental federal, inclusive pela percepção de um uso simbólico da Amazônia para obtenção de legitimidade internacional, muitas vezes dissociado das demandas concretas do Amazonas.
Esse debate é legítimo e necessário. Mas nenhuma divergência — por mais profunda que seja — autoriza a personalização do embate ou o rebaixamento do nível argumentativo.
A BR-319 simboliza um dilema que o país ainda não resolveu. Entre proteção e desenvolvimento, o que se espera é um debate técnico, sério e responsável.
Quando a discussão se desloca para acusações frágeis — ainda mais quando desmentidas publicamente — perde-se o foco do essencial.
No espaço republicano, divergências são naturais; a responsabilidade com os fatos, porém, não é opcional — é o mínimo que se exige.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




Aviso