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Confiança pública na justiça parece se esgotar

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Por Holanda
25/04/2026 23h54 — em Coluna do Holanda
  • O Supremo não é apenas instância de julgamento, mas destino inevitável de conflitos que tendem a se intensificar. Mas carece de confiança pública.
  • O STF não é apenas instância de julgamento, mas destino inevitável de conflitos que tendem a se intensificar.

Nunca se exigiu tanto equilíbrio do Supremo Tribunal Federal quanto em uma eleição que se anuncia polarizada — e raramente se percebeu de forma tão nítida o descompasso entre essa exigência e a confiança pública na capacidade da Corte de exercê-lo.

À medida que o país se aproxima do período mais intenso das eleições de 2026, mesmo antes dos marcos formais do calendário, os sinais de movimentação política já são visíveis. Discursos se ajustam, pré-candidaturas se posicionam e temas institucionais passam a ocupar o centro do debate público.

O problema não está na crítica, nem na reação a ela, mas na forma como esse confronto vem se estabelecendo.

Episódios recentes, como o embate entre o ministro Gilmar Mendes e o ex-governador Romeu Zema, com repercussões que envolveram o uso do inquérito das fake news e declarações públicas em tom pessoal, ilustram um movimento que expõe a Corte a um ambiente que exige cautela redobrada.

Se houve excesso na crítica, a resposta poderia ter sido buscada pelos meios ordinários de tutela da honra, sem a necessidade de acionar instrumentos institucionais mais amplos, o que tende a ampliar um conflito que, em essência, é de natureza pessoal.

Para o cidadão, a questão é direta: a Justiça precisa parecer e ser imparcial.

As eleições são conduzidas pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas seus desdobramentos inevitavelmente chegam ao Supremo. Um tribunal percebido como parte do conflito — e não como seu árbitro — enfrenta maior dificuldade em exercer sua função com a autoridade que o cargo exige.

Como guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal precisa reafirmar, na prática, os valores que sustenta. Sem essa coerência, o esforço do presidente da Corte, Edson Fachin, para restaurar a confiança pública encontrará limites evidentes. A saída, neste momento, é clara: autocontenção.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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