A rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não é um episódio trivial. Trata-se de um evento raro na história republicana brasileira — e, justamente por isso, carrega um significado que ultrapassa o nome rejeitado.
O que está em jogo é o funcionamento prático do sistema de freios e contrapesos e o grau de maturidade institucional na relação entre os Poderes.
O desenho constitucional é claro: cabe ao presidente indicar, e ao Senado avaliar. Quando esse mecanismo funciona de forma harmônica, a aprovação tende a ser a regra.
Quando falha, o sistema revela tensões que estavam latentes.
A decisão do Senado, nesse caso, não pode ser lida apenas como uma derrota política do Executivo, mas como um sinal de reposicionamento institucional do Legislativo, que reafirma sua competência de controle.
Esse movimento, no entanto, não ocorre no vazio. Ele se insere em um contexto mais amplo de desgaste entre os Poderes, especialmente diante da atuação do próprio Supremo Tribunal Federal em temas sensíveis da vida política nacional. Parte do Parlamento tem manifestado incômodo com o que considera uma expansão do protagonismo judicial, enquanto, do outro lado, o Judiciário tem reagido a pressões políticas com decisões de forte impacto institucional.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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