A exibição de fotos dos citados nas delações da Odebrecht, em frente a sede do MPF do Amazonas, ontem, é reveladora do sentimento de frustração e desconfiança (nas instituições) que começa a aflorar, estimulado pelo processo eleitoral iniciado com a cassação do governador José Melo. Um recado das ruas com endereço certo: a eleição para o mandato tampão no Amazonas não pode se transformar em simbolo da impunidade e de fracasso da Força Tarefa da Lava Jato.

A manifestação é, também, um indicativo do que pode acontecer nas próximas semanas: mais protestos, que sem dúvida apressarão os inquéritos contra os citados. E é quase certo que operações de busca e apreensão sejam autorizadas, expondo feridas e desestabilizando candidaturas.
O Amazonas passou a ser o centro das atenções nacionais, olhado com lupa e sobre ele pode recair, certamente, a força represada dos que defendem a depuração da politica.
Nenhum dos citados foi condenado. E é dolorosa a forma como são expostos. Mas precisam ficar distantes de novo processo eleitoral até reunir as provas necessárias para voltar a ter a confiança dos eleitores.
AMAZONINO FAZ CHEK-UP
O ex-governador do Amazonas e ex-prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, fará um chek-up hoje em uma clinica de Manaus. Aproveitará para retirar um pequeno furúnculo da região lombar. É pré-candidato ao governo do Estado e, como ele, diz, com saúde e experiência para enfrentar os desafios de uma campanha politica e eventual governo.
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Outro que entra na disputa do mandato tampão é o deputado Luiz Castro, da Rede. Silas Câmara(PRB) também reforçará o time dos pré-candidatos.
O TIME DE DAVID
O governador David Almeida começou ontem a compor o ‘governo com a sua cara’, conforme anunciou na posse. No comando do Estado, David trabalha com duas hipóteses políticas para o mandato tampão até 2018: uma resposta favorável do STF à eleição indireta ou sua própria candidatura para disputar o governo na eleição direta. Precisa ter um time para chamar de seu para formatar um futuro mais longo no poder.
O SUPER ROBÉRIO
Robério Braga provou mais uma vez que tem raízes ‘profundas’ na Secretaria de Cultura, de onde não é ‘mexido’ há quatro governos. Neste ano completa 20 anos na função, onde chegou em 1997 pelas mãos de Amazonino Mendes, passou para Eduardo Braga (2003/2010), Omar Aziz (2010/2014) e José Melo (2014/2017).
Com tanto tempo no poder, Robério tornou-se ‘especialista’ em cargos públicos: já ocupou outras seis secretarias e outros três cargos e é Procurador Autárquico estadual desde 1982 (ex-Ipasea e agora EUA), com salário superior a R$ 30 mil.
MÉRITO DO MPF
Com a ação que resultou em decisão judicial suspendendo a bandeira tarifária no Amazonas, o MPF/AM foi um dos premiados na 5ª edição do Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal. A premiação concedida pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), ocorreu na categoria "Consumidor e Ordem Econômica".
REAÇÃO AO TCE
Embora a coisa já tenha sido ‘sanada’, a decisão do TCE de bloquear o orçamento do governo ainda rendeu protestos entre a base aliada. O líder Sabá Reis chamou de pirotecnia política e desafiou “qualquer um a me comprovar que o Melo não agiu de forma decente”.
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Josué Neto disse que o TCE quis “chutar cachorro morto” e desmoralizar o ex-governador José Melo, citando pagamentos feitos antes o dia 3, quando ele ainda não tinha sido cassado.
Até o ‘eterno’ oposicionista José Ricardo não gostou da atitude e soltou uma denúncia: no ano passado o TCE praticou ‘a imoralidade’ de pagar R$ 6 milhões para 17 servidores a título de auxílio moradia.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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