O Amazonas começa a se aproximar das eleições de 2026 em meio a um ambiente de insegurança que vai além da economia.
A percepção de instabilidade passou a reunir diferentes fatores que, nos últimos anos, se acumularam sobre a vida da população: aumento do custo de vida, crises recorrentes em torno da BR-319, operações policiais de grande impacto, avanço do garimpo ilegal, conflitos ambientais e a sensação persistente de ausência de uma política nacional contínua voltada especificamente para a região.
A discussão sobre a Amazônia passou a ocupar espaço permanente no debate nacional, mas grande parte da população ainda convive com dificuldades estruturais históricas.
Enquanto o discurso ambiental ganhou centralidade política e internacional, temas ligados à infraestrutura, logística, integração regional e custo amazônico continuam cercados por impasses administrativos, disputas judiciais e forte polarização pública.
A BR-319 se tornou talvez o maior símbolo desse cenário. A rodovia deixou de representar apenas uma obra de infraestrutura e passou a concentrar debates sobre desenvolvimento, proteção ambiental, soberania territorial e isolamento regional.
Ao mesmo tempo, operações de combate ao garimpo ilegal, ao narcotráfico e a crimes ambientais ampliaram a presença do aparato estatal em áreas sensíveis da Amazônia, muitas vezes produzindo impactos sociais relevantes mesmo quando amparadas pela legalidade e por decisões institucionais.
Esse conjunto de fatores ajuda a formar um ambiente político diferente daquele observado em eleições anteriores.
Em meio à sensação de instabilidade, cresce a tendência de valorização de candidaturas associadas à experiência administrativa, previsibilidade e capacidade de transmitir segurança institucional.
Mais do que discursos abstratos, parte significativa do eleitorado parece começar a procurar respostas concretas para problemas que afetam diretamente a vida prática da população.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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