As eleições de 2026 estão se aproximando seguindo o roteiro normal da democracia: partidos se organizam, alianças começam a ser discutidas e, mais adiante, virão as convenções e o início oficial da campanha. Em aparência, tudo ocorre como em qualquer outro ciclo eleitoral. O problema começa quando se olha para o ambiente institucional em que esse processo acontecerá — um ambiente marcado por uma crescente desconfiança em relação ao Poder Judiciário.
Nos últimos anos, o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal, passou a ocupar o centro do debate público de forma permanente. Investigações prolongadas, decisões individuais de ministros com grande impacto político e julgamentos amplamente discutidos na sociedade acabaram levando a Corte para o centro de disputas que antes eram vistas como estritamente políticas.
Para o cidadão comum — que já tende a desconfiar das instituições — esse cenário reforça a sensação de que a Justiça também entrou no campo das disputas.
Essa desconfiança não fica limitada ao Supremo. Como a Justiça Eleitoral faz parte do próprio Poder Judiciário e é composta por magistrados vindos dos tribunais, ela também acaba sendo atingida por esse mesmo clima de ceticismo. Assim, quando o Tribunal Superior Eleitoral toma decisões para combater desinformação ou determinar a retirada de conteúdos considerados falsos nas redes sociais, parte da população passa a enxergar essas medidas não apenas como proteção da democracia, mas como possível intervenção no debate político.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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