A referência à jabuticaba — oferecida por Lula ao ex-presidente Donald Trump — revela mais do que um gesto isolado. Indica um padrão.
Aos poucos, o debate público vai sendo ocupado por imagens, metáforas e sinais, enquanto os problemas concretos permanecem à margem.
Quando o símbolo passa a ocupar o espaço da ação, constrói-se um país que comunica mais do que entrega. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao que tudo indica, encaixa-se nesse movimento. A metáfora é leve, acessível — mas também reveladora.
No caso amazônico, isso se torna ainda mais sensível: o símbolo circula com facilidade; a solução, não. E nem mesmo no plano literal a metáfora se sustenta — a jabuticaba, distante está de ser calmante. O efeito, portanto, é retórico, não transformador.
A retórica segue no mesmo caminho da almejada queda, por Lula, da invisibilidade. Enquanto se reivindica visibilidade lá fora, a Amazônia segue convivendo com uma invisibilidade persistente dentro do próprio país.
A região que sustenta boa parte do discurso ambiental brasileiro no mundo ainda enfrenta isolamento logístico, obras travadas, planejamento intermitente e ausência de um projeto estruturante que concilie desenvolvimento e redução de desigualdades.
O contraste é evidente: o Brasil se apresenta como potência, mas não se organiza como tal em seu próprio território.
A invisibilidade que se pretende que Lula tenta superar no exterior não pode conviver com a invisibilidade interna de regiões inteiras. Porque, no fim, não é a falta de discurso que limita o Brasil — é a ausência de decisões estruturais que transformem potencial em realidade.
No caso amazônico, isso se torna ainda mais sensível: o símbolo circula com facilidade; a solução, não. E nem mesmo no plano literal a metáfora se sustenta — a jabuticaba, distante está de ser calmante. O efeito, portanto, é retórico, não transformador.
A retórica segue no mesmo caminho da almejada queda, por Lula, da invisibilidade.
Enquanto Lula reivindica visibilidade lá fora, a Amazônia segue convivendo com uma invisibilidade persistente dentro do próprio país.
A região que sustenta boa parte do discurso ambiental brasileiro no mundo ainda enfrenta isolamento logístico, obras travadas, planejamento intermitente e ausência de um projeto estruturante que concilie desenvolvimento e redução de desigualdades.
O contraste é evidente: o Brasil se apresenta como potência, mas não se organiza como tal em seu próprio território.
O ponto central não está nas frases, mas no método. Quando o símbolo passa a ocupar o espaço da ação, constrói-se um país que comunica mais do que entrega.
A invisibilidade que se pretende superar no exterior não pode conviver com a invisibilidade interna de regiões inteiras. Porque, no fim, não é a falta de discurso que limita o Brasil — é a ausência de decisões estruturais que transformem potencial em realidade.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




Aviso