Quando os primeiros 28 “ventiladores” foram comprados pelo governo do Amazonas, em 10 de abril, no auge da pandemia da Covid 19, cerca de 70 amazonenses haviam perdido a vida pela doença. Outros 410 morreriam até 5 de maio e esse número cresceria mais ainda nos dias subsequentes, totalizando até agora 3 mil óbitos. Nenhuma novidade para quem conhece o caso superficialmente. O que descobriu-se depois é uma história de divórcio entre governo e sociedade, entre o salva-vidas - o Estado — e aqueles que se afogavam. Um divórcio que custou vidas, enquanto gerava lucro para empresas apadrinhadas por agentes públicos, sobre os quais recai suspeita de desvio de conduta, advocacia administrativa e corrupção.
Já não é uma suspeita - e deve ter consequências - o fato de ter sido montado um poderoso esquema para desviar dinheiro público durante a pandemia.
A CPI da Saúde, criada para apurar o caso, descobriu uma lavanderia que supostamente foi contratada para dar legalidade ao dinheiro que recebia por um serviço que não prestava integralmente. Parecia mais destinada a lavar outra coisa, que não apenas lençóis de um único hospital com quatro pacientes. Esse caso pode ter as digitais que os deputados da comissão procuram para pedir o afastamento de autoridades do governo.
Apenas estes dois casos ja balizariam medidas destinadas a sanear a atividade política e administrativa do Estado do Amazonas. Mas há muito mais nessa caixa de pandora, aberta pela CPI e compartilhada com os órgãos de controle.
Uma coisa é certa: todas as broncas serão postas sobre a mesa e será perguntado a quem disse que as resolveria: Por que tu as multiplicaste?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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