Os últimos indicadores econômicos do Amazonas podem sugerir um cenário animador. Mas a realidade amazonense recomenda prudência diante de leituras excessivamente otimistas.
Antes dos números, existe um dado maior e praticamente incontestável: a própria geografia do Estado. Em um território de dimensões continentais, as grandes distâncias, o isolamento de comunidades e os elevados custos logísticos continuam impondo limites ao desenvolvimento e ajudam a explicar a dependência financeira de grande parte dos municípios do interior.
Os indicadores merecem atenção, mas, em um Estado de profundas desigualdades regionais, nem sempre conseguem retratar a realidade vivida pela maior parte da população.
O crescimento observado em determinados setores não elimina automaticamente dificuldades históricas que permanecem no cotidiano amazonense.
O interior do Estado continua com limitada capacidade de arrecadação própria e forte dependência de transferências estaduais e federais.
Em muitos municípios, a manutenção de serviços essenciais e a realização de investimentos ainda dependem da obtenção de recursos externos e da celebração de convênios, realidade que evidencia as dificuldades de construção de uma base econômica mais diversificada e autossustentável.
Mesmo Manaus, que concentra a maior parte da atividade econômica do Amazonas, convive com problemas de infraestrutura, mobilidade, desigualdades territoriais e crescimento urbano desordenado. No interior, as limitações de transporte e integração econômica tornam o desafio ainda mais complexo.
Merece reflexão a situação de milhares de famílias que permanecem em condição de vulnerabilidade social e dependem de programas de transferência de renda para complementar sua subsistência.
A importância dessas políticas é indiscutível. Ao mesmo tempo, sua ampla necessidade revela que o crescimento econômico ainda não se converteu, de maneira uniforme, em autonomia, oportunidades permanentes e melhoria generalizada das condições de vida.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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