O mandato de Roberto Cidade deixa de representar apenas uma transição institucional. Passa a funcionar como teste de governabilidade. E talvez seja exatamente aí que se definirá o peso político do novo governo: na capacidade de preservar estabilidade, conduzir prioridades e administrar o Estado sem permitir que o discurso ultrapasse os limites do caixa público.
Governar passa a exigir não apenas liderança política, mas capacidade de administrar expectativas sem perder de vista a realidade financeira.
A sucessão transcorreu sob estabilidade institucional, mas a realidade fiscal começa a impor um debate menos simbólico e mais estrutural — o da sustentabilidade administrativa em um cenário nacional de desaceleração econômica e crescente pressão sobre as contas públicas.
Mandatos breves não suspendem problemas históricos. Ao contrário, frequentemente os tornam mais visíveis.
O Amazonas continua inserido em uma dinâmica que combina dependência de arrecadação sensível ao cenário externo, elevados custos logísticos, demandas permanentes por expansão da máquina pública e necessidade constante de investimentos estruturais.
Em algum momento, o discurso político inevitavelmente encontrará os limites materiais do orçamento.
Há ainda um dado que merece atenção: transições institucionalmente estáveis não eliminam desafios administrativos acumulados ao longo do tempo.
O novo governo assume em um ambiente nacional marcado por cautela fiscal, crédito mais pressionado, desaceleração da atividade econômica e incertezas que já começam a repercutir sobre os estados.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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