A Universidade do Estado do Amazonas está gastando com publicidade na mídia de Manaus cerca de R$ 40 milhões por ano. Uma soma altíssima, considerando demandas naturais para investimento em ensino e projetos de extensão. Um evidente desvio de finalidade de uma instituição que não precisa de publicidade, mas de investimentos em áreas específicas, como ensino, projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Pelos recursos destinados à universidade, oriundos de um fundo criado pelas indústrias da Zona Franca de Manaus que aderiram à política de incentivos fiscais para sua manutenção, a UEA deixou para trás a expectativa de ir mais além: ser um centro de excelência.
Mas o tempo de bonança tem data para expirar. Com a reforma tributária, as empresas do DI deixarão de contribuir e a universidade dependerá de recursos de um Fundão, que será repartido entre os estados do Norte.
Quem vai definir o percentual que será destinado à universidade é o governo, mas seguramente será infinitamente menor do que as indústrias hoje despejam como água nos cofres da instituição: mais de R$ 600 milhões/ano.
A criação da UEA pelo então governador Amazonino Mendes focou o desenvolvimento do Estado, a formação de mão de obra qualificada. Mas ao criar um fundo para sua manutenção o governador que o sucedeu não teve a preocupação de investir na excelência acadêmica, tornando a universidade uma referência em pesquisa, ciência e tecnologia, contribuindo decisivamente com o parque industrial.
Não houve isso e esse tempo perdido não se recupera mais.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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