Um vídeo da perseguição policial em Manaus, registrado por terceiros, recoloca em evidência o debate sobre o uso da força policial.
A versão inicial apontava para uma queda após colisão. A perícia, contudo, identificou perfuração por arma de fogo, deslocando o debate para o ponto central da discussão: o uso da força.
As imagens ajudam a reconstruir os fatos, mas não esclarecem, por completo, o instante decisivo.
Ainda assim, revelam uma contradição: quando o registro institucional falha, o controle social — fragmentado e informal — passa a ocupar o seu lugar. E, quando isso ocorre, o controle deixa de ser regra e passa a depender do acaso.
O caso ocorreu na madrugada de domingo (19), no bairro Alvorada. Um jovem em motocicleta, sem placa, teria desobedecido ordem de parada e foi perseguido por uma viatura da Polícia Militar. O desfecho foi letal.
O caso também mostra uma dificuldade da própria atividade policial. O policial precisa agir para cumprir seu dever em situações que já começam tensas, muitas vezes com expectativa de confronto. São decisões tomadas em segundos, que podem ter consequências graves e definitivas.
O ponto principal não é criar mais regras, porque elas já existem. O desafio é fazer com que essas regras sejam seguidas na prática, especialmente nos momentos mais críticos.
Sem controle claro e imediato, sempre vai ficar dúvida sobre o que realmente aconteceu. E o Estado passa a ser o responsável, Afinal, a polícia é uma instituição do estado, sua mão pesada e sem controle, em muitos casos.
Em várias partes do país, casos envolvendo o uso da força pela polícia têm levantado as mesmas dúvidas. É possível comparar com lugares como o Rio de Janeiro — não porque sejam iguais, mas porque o problema se repete.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




Aviso