O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a valer provisoriamente nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, após mais de vinte anos de negociações. A medida abre um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores e prevê a redução ou eliminação de tarifas para milhares de produtos, mas ainda depende da ratificação definitiva pelos parlamentos europeus.
Na prática, mais de cinco mil produtos brasileiros já entram na Europa com tarifa zero nesta fase inicial, e cerca de 95% das exportações do Mercosul terão tarifas reduzidas ou eliminadas ao longo dos próximos anos. A implementação será gradual: a União Europeia terá até dez anos para reduzir tarifas, enquanto o Brasil terá até quinze, com exceções estratégicas como veículos elétricos, que terão prazos de até trinta anos.
Apesar do potencial econômico, o acordo enfrenta resistências. Agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França, Polônia, Irlanda e Áustria, temem concorrência desleal e impactos ambientais. No Mercosul, há disputa interna sobre como dividir cotas de exportação de produtos como carne bovina entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Para defensores do tratado, o acordo representa uma oportunidade histórica de integração econômica e de fortalecimento das cadeias globais de valor. Já os críticos enxergam riscos de desequilíbrio e de pressão sobre setores vulneráveis.



