O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em caráter de urgência o bloqueio imediato do acesso ao material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS referente ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão visa proteger dados privados que não teriam relação com o objeto da investigação parlamentar.
Mendonça, que é o relator do caso no STF, ordenou que a Polícia Federal (PF), em colaboração com a Presidência da CPMI, retire todos os equipamentos e documentos do local. O objetivo é realizar uma nova separação minuciosa dos dados para garantir que conteúdos da vida íntima do investigado não sejam compartilhados com os parlamentares.
A medida ocorre após a identificação de mensagens privadas entre Vorcaro e sua ex-noiva, a modelo Martha Graeff, no material sob posse da comissão. A defesa de Graeff emitiu uma nota contundente classificando a exposição como uma "grave violência" e "ilegalidade manifesta".
O advogado Lúcio de Constantino, que representa a modelo, afirmou que as mensagens foram retiradas do "ambiente sagrado da intimidade de casal" e ressaltou que Graeff não possui qualquer envolvimento em ilicitudes penais, tendo encerrado o relacionamento com o banqueiro há meses. Martha Graeff chegou a ser convocada pela CPMI na última quinta-feira, embora a data do depoimento não tenha sido definida.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), protestou contra a retenção das informações. Segundo ele, a comissão recebeu menos de 1% do volume total de dados brutos enviados originalmente à Polícia Federal.
Volume Original: Mais de 400 GB de documentos (incluindo dados em nuvem da Apple).
Volume Entregue: Apenas 1 GB (aprox. 0,25% do total).
Nova Remessa: Após triagem solicitada por Mendonça, centenas de gigas foram reduzidos a apenas 313 MB distribuídos em 206 arquivos.
"Nós recebemos menos de 1%, o que é um absurdo", declarou o senador, criticando a limitação do acesso aos dados telemáticos e bancários que são fundamentais para apurar descontos indevidos em aposentadorias do INSS.
O caso Master no STF passou por mudanças de entendimento. Em dezembro de 2025, o então relator Dias Toffoli havia determinado o recolhimento dos dados. Em fevereiro de 2026, André Mendonça assumiu a relatoria e autorizou a entrega parcial, mas sob a condição de que a PF filtrasse o conteúdo para preservar o sigilo de terceiros e a vida privada, processo que agora culmina no lacre da sala-cofre.

