Pacientes brasileiros com epilepsia de difícil controle terão uma nova opção de tratamento a partir de 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o XCOPRI, ou cenobamato, medicamento indicado para o controle de crises epilépticas focais. A farmacêutica Eurofarma anunciou o registro do fármaco, que já era aguardado pela comunidade médica há pelo menos três anos.
O cenobamato se destaca pelo mecanismo de ação duplo: ele bloqueia os canais de sódio nos neurônios, interrompendo a propagação das crises, e aumenta a atividade do neurotransmissor GABA, responsável por frear a atividade cerebral. Estudos clínicos indicam que pacientes que utilizaram a dose de 400 mg apresentaram redução mediana de 65% na frequência das crises, e até 28,3% atingiram o estado de “liberdade de crises”, resultado raro em terapias convencionais.
Além da eficácia em testes laboratoriais, estudos de “mundo real” confirmaram a manutenção dos resultados. Após dois anos de tratamento, cerca de 80% dos pacientes mantiveram redução igual ou superior a 50% nas crises, o que também permitiu a simplificação do regime terapêutico, diminuindo a quantidade de outros medicamentos utilizados simultaneamente.
A Eurofarma, responsável por licenciar o produto da coreana SK Biopharmaceuticals, já obteve aprovação do medicamento em países da região, como Argentina, Chile, Equador e Peru. A chegada do cenobamato ao Brasil busca reduzir a lacuna terapêutica, beneficiando os 2 a 3 milhões de brasileiros que vivem com epilepsia de difícil controle, em um cenário latino-americano em que mais de 60% dos pacientes não recebem tratamento adequado.

