SÃO PAULO - Durante evento em comemoração à Revolução Constitucionalista de 1932, na zona Sul de São Paulo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que depois de aprovadas as reformas econômicas, não há razão para que o PSDB continue no governo. Alckmin voltou a dizer que o compromisso do PSDB é com as "medidas de interesse do país" e não com o governo do presidente Michel Temer.
- Hoje é preciso aguardar o término das reformas. Depois disso eu vejo que não há nenhuma razão para o PSDB participar do governo - disse o governador, que vinha sendo um dos principais defensores da permanência do PSDB no governo ao longo do último mês, mas começa a dar sinais de que pode apoiar a saída do partido da base aliada.
Ele lembrou que já havia defendido que o PSDB participasse da aprovação da reforma trabalhista e da previdência, sem precisar ter cargos no governo. Mas ponderou, entretanto, que essa posição não foi adotada pelo partido à época. O PSDB segue ocupando quatro ministérios no governo Temer.
- O que nós defendemos lá atrás é que nosso compromisso era com o Brasil, precisamos preservar o emprego, ajudar a economia e não criar mais turbulência. Então, vamos esperar esse período das reformas. E de outro lado, também vamos acompanhar o desenrolar da crise política, já que o processo é muito dinâmico - afirmou o governador.
O prefeito João Doria, que também participou do evento, foi na mesma linha do governador. Doria disse que não defende que o PSDB se mantenha no governo, mas sim que o partido tenha um "olhar para o Brasil", ajudando na consolidação das reformas.
- Eu não defendo que o PSDB se mantenha no governo. Eu defendo que o PSDB tenha o olhar para o Brasil, em como fazer para que as reformas continuem. Pode até ser sem ficar no governo, acho que essa é uma questão do debate - disse o prefeito de São Paulo, que acha importante manter a economia apartada da questão política.
Alckmin informou no sábado que lideranças do PSDB devem fazer uma “reunião informal” em São Paulo amanhã à noite para discutir os rumos que o partido deve tomar em relação ao governo Temer.
Na última quinta-feira, o senador e presidente interino do partido, Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que o presidente está “caminhando para a ingovernabilidade” e sinalizou que o partido pode apoiar um eventual governo do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (PMDB-RJ).
— Não é uma reunião da Executiva, ainda vai ser confirmada, poderá ocorrer em São Paulo na segunda à noite. É uma reunião informal para avaliação do momento político que o país está passando, que é uma situação grave — afirmou Alckmin.

