Um momento de profunda comoção marcou o cenário de um trágico acidente automobilístico no último sábado (16), no quilômetro 205 da BR-158, em Cruz Alta. Após a colisão que tirou a vida do empresário André Mimbacas Saccol, de 47 anos, o caminhoneiro envolvido na ocorrência, um idoso de 74 anos, comoveu socorristas e testemunhas ao pedir permissão para se ajoelhar e rezar ao lado do corpo da vítima.
A cena, incomum em plantões de emergência, foi autorizada pela equipe do Corpo de Bombeiros após uma avaliação no local. Segundo o 2º sargento Fábio Machado, que atendeu a ocorrência, o motorista do caminhão fez o pedido a um dos socorristas com o argumento de que precisava orar pela alma do empresário para tentar encontrar algum alento diante do trauma.
"Foi uma situação que ninguém esperava. Esse momento comoveu a todos. Ele perguntou se poderia orar pela vida dele, porque queria se sentir melhor", relembrou o sargento Fábio.
A equipe consentiu com o clamor do idoso, sob a condição de que o cenário do acidente não fosse alterado para resguardar o trabalho da perícia. O caminhoneiro então se aproximou de onde estava o corpo, coberto por uma lona preta, e iniciou as preces. Com três décadas de atuação no resgate, o sargento Machado destacou que, embora já tenha visto reações parecidas, episódios com tamanha carga emocional sempre marcam profundamente as equipes de salvamento.
O acidente envolveu um caminhão e a motocicleta conduzida por André Saccol em frente a um posto de combustíveis na rodovia federal. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o empresário trafegava no sentido Cruz Alta–Santa Maria quando colidiu contra o veículo de carga, que saía do estabelecimento para acessar a pista.
O caminhoneiro de 74 anos não sofreu ferimentos e passou pelo teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para o consumo de álcool. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias e responsabilidades do caso.
A vítima, André Mimbacas Saccol, era natural de Santa Maria e uma figura conhecida no cenário empresarial gaúcho. Ele era um dos sócios do Grupo Medianeira, tradicional conglomerado do setor de transportes, e liderava as operações da empresa no município de Ijuí, na região Noroeste do Rio Grande do Sul.
O corpo do empresário foi velado no domingo (17) e encaminhado para cremação no fim da tarde do mesmo dia, sob forte clima de luto entre familiares e colaboradores.




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