O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentou nesta sexta-feira (26) parecer final recomendando que a Polícia Federal investigue a relação do ministro do STF Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento também sugere que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Senado analisem possíveis crimes de responsabilidade, incluindo o contrato de R$ 129 milhões firmado entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, sob suspeita de tráfico de influência.
Segundo Gaspar, as apurações da comissão indicam que integrantes e familiares de ministros do Supremo mantiveram vínculos com o Banco Master, que estaria envolvido em fraudes em empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS. O relator destacou que os contratos firmados estariam “totalmente fora do mercado” e que há indícios de que os ministros poderiam ter atuado em defesa de interesses privados.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, reforçou a necessidade de investigação. Em entrevista à CNN, afirmou que “o Senado precisa se debruçar sobre a comissão de investigação, a PGR deve abrir inquérito, assim como em relação a Dias Toffoli, diante da hipótese de advocacia administrativa e uso do cargo para beneficiar o Banco Master”. Até o fechamento da reportagem, os ministros e a esposa de Moraes não haviam se manifestado, e o escritório de Viviane Barci declarou que não comentaria o assunto.
Instalada em agosto de 2025, a CPMI apura fraudes em aposentadorias e pensões do INSS e avançou recentemente sobre o Caso Master, que movimentou R$ 701,2 milhões em operações de crédito consignado entre janeiro de 2023 e novembro de 2025. Mensagens e dados de celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, obtidos pela comissão, teriam revelado contatos com Toffoli, Moraes e sua esposa, intensificando a tensão política envolvendo o STF.


