A histórica rejeição de Jorge Messias pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (29), ecoou imediatamente no Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros e ex-membros da Corte se manifestaram com tons que variaram entre a defesa da prerrogativa do Legislativo e críticas contundentes à decisão, classificada por alguns como um "equívoco institucional".
Mendonça: "O Brasil perde a oportunidade"
O ministro André Mendonça foi o primeiro a se pronunciar. Em tom pessoal e solidário, Mendonça lamentou o resultado, afirmando que Messias preenchia todos os requisitos constitucionais para o cargo.
Citando uma passagem bíblica, o ministro prestou homenagem ao atual advogado-geral da União: "Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!" , escreveu em suas redes sociais, destacando a integridade do indicado de Lula.
Fachin: Foco na estabilidade e na vaga aberta
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, adotou uma postura mais institucional. Em nota oficial, ele reiterou o respeito à competência do Senado em aprovar ou rejeitar indicações, mas não escondeu a preocupação com o desfalque na Corte.
Fachin destacou a necessidade de "responsabilidade institucional" para que o tribunal volte a ter sua composição completa, lembrando que o quórum de dez ministros já tem provocado empates em julgamentos importantes. "A Corte aguarda as providências constitucionais cabíveis para o oportuno preenchimento da vaga" , pontuou.
Celso de Mello: "Grave equívoco"
A reação mais dura veio do decano aposentado Celso de Mello. O ministro, que integrou o STF por 31 anos, classificou a votação como "injustificável" e "profundamente infeliz".
Para Mello, o Senado cometeu um erro ao barrar um jurista que classificou como sério e comprometido com o Estado Democrático de Direito. "Perdeu-se a oportunidade de incorporar ao STF um jurista preparado e experiente" , afirmou o ministro aposentado.



