O ex-banqueiro Daniel Vorcaro completa neste sábado (4) um mês preso enquanto negocia um acordo de delação premiada. Ele foi detido no âmbito da operação Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob a justificativa de tentativa de obstrução das investigações relacionadas ao Banco Master, instituição fundada pelo ex-banqueiro.
As negociações para a delação ganharam força após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a prisão. Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal do Brasil e a Procuradoria-Geral da República, que conduzem conjuntamente o processo. A defesa trabalha na reunião de documentos e informações que devem embasar a proposta, cuja análise inicial pode durar cerca de 45 dias antes do início dos depoimentos.
De acordo com investigadores, a expectativa é que o ex-banqueiro apresente novos elementos, incluindo nomes de possíveis envolvidos em um esquema de fraudes, além de indicar eventuais ligações com agentes políticos e beneficiários financeiros. Caso o material seja considerado consistente, o acordo poderá avançar. Após essa fase, a defesa pretende solicitar a conversão da prisão em regime domiciliar ou o uso de tornozeleira eletrônica.
Enquanto isso, Vorcaro permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde mantém uma rotina discreta. Ele recebe alimentação padrão dos demais detentos, tem direito a banho de sol diário e visitas frequentes de advogados, entre eles Sérgio Leonardo. Antes de chegar à capital, o ex-banqueiro passou por unidades prisionais em São Paulo e permaneceu por 13 dias na Penitenciária Federal de Brasília, sendo posteriormente transferido para dar início ao processo de negociação da delação.


