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Delatores indicam que Padilha recebeu R$ 1,5 milhão de propina de obra de metrô de Porto Alegre

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BRASÍLIA - Com base em documentos e depoimentos de delatores da Odebrecht, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), de ter recebido R$ 1,5 milhão de propina das obras da linha 1 do metrô de Porto Alegre. Segundo os delatores, Padilha cobrou o dinheiro no começo de 2008 ou fim de 2009, rememorando favores prestados ainda em 2001, quando era ministro dos Transportes no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Outras quatro pessoas teriam recebido propinas de quase R$ 2 milhões.

"O encontro entre Valter Luis Arruda Lana e Eliseu Padilha teria ocorrido ou no escritório de Padilha, ou no do colaborador. Na oportunidade Padilha afirmara que tinha ajudado a Odebrecht em 2001 a vencer a licitação, visto que, na época, era ministro de Transporte do Governo Fernando Henrique Cardoso. Em razão disso, teria demandado algo em torno de 1% do valor do contrato", escreveu Janot.

O inquérito é baseado nos depoimentos de Lana e de Benedicto Júnior, que era seu chefe na Odebrecht. A obra, ligando as cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, estava licitada desde 2001, mas foi paralisada em razão de determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). O valor do contrato era de R$ 324 milhões.

Além de Padilha, identificado nas planilhas de pagamento da Odebrecht pelo apelido "Bicuíra", também são investigados por recebimento de propina o deputado Marco Maia (PT-RS), o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernado (PT-PR), o ex-presidente da Trensurb (metrô de Porto Alegre), Marco Arildo, e Humberto Kasper, ex-diretor da empresa. Eles vão responder pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Paulo Bernardo, apelidado de "Filósofo" pela Odebrecht, teria recebido R$ 934.511 entre 4 de novembro de 2009 e 5 de outubro de 2010. Os repasses para Marco Maia, ou "Aliado", teriam chegado a R$ 734,708 entre 13 de julho de 2010 e 3 de novembro de 2010. Marco Arildo ("Sucessor") ficou com R$ 260.389 e Humberto Kasper ("Jornalista") com R$ 38.718.

Lana disse que foi procurado primeiramente por Marco Maia no fim de 2008 ou começo de 2009. Ele conta que o deputado lembrou já ter sido presidente da Trensurb, e, como não tinha apresentado nenhum obstáculo à obra, solicitou 0,5% de propina. Marco Arildo ficou com 0,5% e Humberto Kasper com 0,25%.

Num segundo momento, foi Padilha que o procurou para cobrar propina, no valor de 1% do contrato. Por fim, também ficou acertado que Paulo Bernardo teria direito a 1%. Mas, nesse caso, foi Lana quem procurou o político, e não o contrário. Bernardo era ministro do Planejamento no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo da Odebrecht seria incluir a obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

"Todas as demandas foram atendidas pela Odebrecht", escreveu Janot, acrescentando: "os 'gaúchos' foram pagos pelo doleiro 'Tonico'. No caso de Eliseu Padilha, os valores eram entregues também para uma pessoa de nome 'Libanês'".

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