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Em 14 meses no cargo, ex-gerente da Petrobras recebeu propina de R$ 10 milhões

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SÃO PAULO - Em interrogatório ao juiz Sergio Moro, o ex-gerente da Petrobras Roberto Gonçalves admitiu ter recebido pelo menos R$ 10 milhões no esquema de corrupção da Petrobras. Gonçalves sucedeu a Pedro Barusco, delator da Lava-Jato, e ocupou o cargo na gerência de Serviços da estatal somente entre março de 2011 e maio de 2012. Ele contou que embolsou propina em contratos feitos pela Petrobras com UTC e Odebrecht nos consórcios TUC e Pipe Rack, formado por Odebrecht e UTC, com a estatal para a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Ao ser questionado por Moro, Gonçalves negou ter oferecido qualquer contrapartida — como interferência em licitações ou concessão de vantagem a alguma empresa — em troca do dinheiro. O ex-gerente atribuiu a propina que recebeu ao que chamou de “vício do sistema” e declarou, como alguns delatores já fizeram, que tratava-se da “regra do jogo”. Ele confirmou que recebeu US$ 5 milhões de Rogério Araújo da Odebrecht e mais US$ 5 milhões de Ricardo Pessoa, da UTC.

— Ele (Rogério Araújo) ofereceu esse valor sem que eu fizesse qualquer ato, ação ou omissão da minha parte. Então houve sim. Ele ofereceu US$ 5 milhões. Isso foi pago. Eu não sabia como movimentar isso. O que percebo excelência é que já havia um sistema implantado. Foi oferecido aquilo não por mim, pelo que eu fiz. Era a regra do jogo. Eu também percebi que o próprio preposto tinha interesse porque ficava com parte do dinheiro. Havia o vício no sistema — disse o ex-gerente.

Durante o seu interrogatório, Roberto Gonçalves afirmou que, um ano depois de ter deixado a Petrobras para assumir a presidência de uma subsidiária da estatal, foi contatado pelo ex-diretor de Serviços Renato Duque, que o avisou que Barusco havia pedido que entregasse um valor a Gonçalves. No encontro, que contou com a presença de um representante do banco Cramer, Gonçalves disse que aceitou os valores.

- De uma certa forma, eu fui fraco e disse que aceitava, era um bom dinheiro. Até porque não tenho nenhuma contrapartida disso - disse Gonçalves.

Posteriormente, o ex-funcionário da Petrobras contou que se sentiu desconfortável com o pagamento e voltou a procurar o representante do banco Cramer.

- Pessoalmente falei com a pessoa do banco e pedi que devolvesse o dinheiro dessa remessa e encerrasse minha conta no banco.

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