O fisiculturista e influenciador fitness Gabriel Ganley, de 22 anos, participou de um desafio e puxou um caminhão de 25 toneladas com a força do corpo. As imagens foram registradas no canal Integral TV, uma das maiores marcas de suplementação da América Latina, e divulgadas no dia 18 de abril nas redes sociais.
Ganley integrou o time de atletas marca e era chamado de "bbzinho". Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava na Mooca, zona leste de São Paulo, no sábado passado, dia 23.
No vídeo do desafio, o atleta é orientado sobre como deve se posicionar para conseguir o feito e chega a dar mais de cinco passos arrastando o caminhão. O jovem era considerado um dos principais nomes da nova geração do cenário "maromba" no Brasil. O corpo do atleta foi cremado na segunda-feira, 25, em cerimônia reservada a familiares e amigos.
Natural do Rio de Janeiro, o atleta estava em fase ativa de preparação para disputar o campeonato de fisiculturismo Musclecontest Brasil, programado para ocorrer em Curitiba (PR) em julho deste ano.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), o corpo de Ganley foi encontrado caído no chão da cozinha por um amigo.
"Não foram encontrados sinais aparentes de violência. A perícia foi realizada no local. O caso foi registrado como morte suspeita - morte súbita no 42º DP (Parque São Lucas)", informou a nota.
Causa da morte
O atestado de óbito do atleta apontou morte súbita por cardiomiopatia hipertrófica, condição que, segundo especialistas, tem origem genética, mas pode ser potencializada pelo uso de anabolizantes e pelo excesso de atividade física. Trata-se da principal causa de morte súbita em atletas jovens, segundo Natália Olivetti, cardiologista do Einstein Hospital Israelita.
A doença é caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco associado à combinação de predisposição genética e fatores ambientais, de acordo com Luiz Augusto Riani Costa, cardiologista e especialista em medicina esportiva da Dasa.
"A cardiomiopatia hipertrófica é a combinação de uma predisposição genética associada a um estímulo ambiental, que pode envolver treinamento de alta intensidade", explica Costa. A prevalência é de cerca de um caso a cada 500 pessoas e a condição costuma ocorrer principalmente entre indivíduos de 20 a 40 anos.
Dois dias sem contato
Familiares e amigos do fisiculturista passaram cerca de dois dias sem conseguir contato com o atleta antes de ele ser encontrado morto em seu apartamento. A informação consta no boletim de ocorrência do caso, registrado pela Polícia Civil.
De acordo com depoimentos prestados à polícia, o último encontro entre Gabriel e um dos amigos ocorreu na noite de quinta-feira, 21, em uma academia da Mooca. Após isso, familiares passaram a relatar dificuldade para falar com o atleta, o que motivou a ida ao apartamento.
Um dos amigos que foi até o imóvel afirmou à polícia que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente, quando o atleta apenas dormia e deixava de responder mensagens.
Ao chegarem ao imóvel, os amigos perceberam que as luzes permaneciam acesas e, sem obter resposta, decidiram arrombar a porta com o auxílio de funcionários do condomínio. Ganley foi encontrado caído no chão da cozinha sem sinais vitais.
O boletim aponta que o apartamento estava limpo e organizado no momento da perícia. Durante a análise do imóvel, peritos apreenderam diversos medicamentos classificados preliminarmente como possíveis anabolizantes, que serão encaminhados para investigação pela delegacia responsável pela área.
Quem era Gabriel Ganley
Ganley Ganley era um fenômeno nas redes sociais e cresceu publicando conteúdos para motivar jovens a fazerem exercícios e documentando a rotina de alta performance no esporte.
No Instagram, acumulava mais de 1,7 milhão de seguidores, enquanto no TikTok somava cerca de 1,1 milhão de usuários acompanhando seus conteúdos diariamente. Além do trabalho nas redes sociais, ele cursou até o quinto período do curso de educação física na UFRJ.



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