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Gasto com militares cresce e pressiona finanças estaduais, mostra estudo

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As finanças estaduais estão sendo pressionadas pelo aumento de gastos com militares. Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (29) mostra que a folha de pagamento dessa categoria nos estados é de quase R$ 80 bilhões.

Segundo um site de notícias do Globo, o Ipea revelou que existem atualmente cerca de 480 mil militares estaduais em atividade no Brasil, considerando os policiais e bombeiros, além de 270 mil inativos e 130 mil pensionistas.

Os gastos com militares têm afetado as finanças estaduais basicamente por dois motivos. Primeiro, é uma categoria que tradicionalmente se aposenta mais cedo do que as demais. Segundo, a quantidade de militares inativos é crescente, e os salários são maiores do que o observado entre os trabalhadores ativos.

Em média, o salário dos militares que estão na ativa é de R$ 5.237, a remuneração dos inativos é de R$ 7.860,62 e a de pensionistas chega a R$ 4.820,70.

Os sinais de deterioração das contas públicas a ficaram evidentes nos últimos anos. Enquanto a receita líquida dos governos estaduais cresceu 3% ao ano de 2006 a 2017, os gastos com militares aumentaram 7% ao ano no período. Passaram de R$ 39,9 bilhões para R$ 79 bilhões.

Com esse crescimento, o peso da folha de pagamento dos militares em relação ao total das receitas dos Estados cresceu de 9% para 12,5%. "A contenção da expansão da folha de pagamentos militar representa um grande desafio para os governos estaduais", observou o Ipea.

Em alguns estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, um quinto da receita da administração pública é destinada para o pagamento de militares.

O quadro é ainda mais difícil porque, em alguns estados, a quantidade de militares inativos e pensionistas já é maior do que a de ativos, dificultando uma recuperação das finanças locais no curto prazo.

No levantamento, o Ipea calculou a razão de dependência dos militares que não estão atuando em relação aos que seguem na profissão. Em São Paulo, a razão de 1,2; no Rio Grande do Sul, chega a 1,9 - quando a taxa supera 1, significa que há mais trabalhadores inativos e pensionistas do que ativos

Ao todo, no Brasil, existem 45,6 mil militares na ativa, 252 mil profissionais inativos e 134,9 mil pensionistas. "Portanto, no país como um todo, há quase o mesmo número de militares ativos do que de inativos e pensionistas somados", informou o órgão no estudo.

Mantida as regras atuais, o Ipea projeta um crescimento de mais de metade do número de inativos no prazo de 15 anos.

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