O laudo médico do pequeno Oliver G., de apenas 3 anos, trouxe à tona o detalhe mais avassalador da tragédia que chocou o Rio Grande do Sul: a violência do pai foi tão desmedida que o coração da criança foi fisicamente deslocado do lugar. O menino morreu na madrugada da última quinta-feira (9) em Porto Alegre, após passar quatro dias internado em estado gravíssimo devido às agressões sofridas no domingo (5), em Viamão.
O crime teria sido motivado pelo fato de o menino não ter dado "bom dia" ao pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, que está preso preventivamente. A mãe da criança também foi detida por omissão.
A revelação do coração deslocado humaniza a tragédia e expõe a dimensão exata do sofrimento da vítima. De acordo com o depoimento de uma das médicas que atendeu Oliver à Polícia Civil, a força dos socos contínuos desferidos contra o tórax e o abdômen do menino causou um impacto traumático raramente visto, movendo o órgão de sua posição anatômica original.
A equipe médica detalhou à delegada Luana Medeiros que o corpo do menino carregava marcas de uma barbárie que vai muito além dos "três socos" alegados pelo agressor:
Deslocamento cardíaco: provocado por sucessivos traumas fechados de alta energia no tórax.
Afundamento craniano: resultado de ter a cabeça violentamente batida contra o chão.
Fratura total do fêmur: o osso mais forte do corpo humano, completamente quebrado pela força dos golpes.
"A médica nos explicou que o coração do menino chegou a mudar de lugar de tão forte que foi o espancamento", declarou a delegada responsável. Para os especialistas, as lesões são incompatíveis com um ato impulsivo, evidenciando uma sessão de tortura.
O caso aconteceu no distrito de Águas Claras. Após o espancamento, o próprio pai levou o filho ao hospital de Viamão na tentativa de despistar o crime. A gravidade das lesões, no entanto, alertou os plantonistas, que acionaram a Brigada Militar. O norte-americano foi preso em flagrante no local.
Com a confirmação do óbito de Oliver na quinta-feira, a tipificação do crime mudou. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul agora aguarda os laudos oficiais do Instituto-Geral de Perícias (IGP) para fechar o inquérito. O casal responderá pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e omissão.



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