A Polícia Civil de São Paulo analisa novas imagens para tentar esclarecer a morte do advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, ocorrida em uma rua da Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista, na sexta-feira, 10. O advogado passou mal após comprar cigarros e cerveja em uma adega da região, e a principal suspeita é que tenha sido vítima do golpe conhecido como "Boa noite, Cinderela".
Após comprar a bebida, Pedro saiu do bar acompanhado de um homem de boné branco que ele havia conhecido naquela mesma madrugada, na balada. O homem já foi identificado pela polícia e deve prestar depoimento na próxima segunda-feira, 20. A polícia tenta esclarecer o que aconteceu do momento em que o advogado deixa o bar acompanhado pelo suspeito até a hora em que foi encontrado passando mal.
O golpe "Boa noite, Cinderela", que consiste em dopar a vítima por meio da adulteração de bebida, pode ter acontecido em um intervalo de 40 minutos entre um episódio e o outro. As investigações ainda aguardam os laudos periciais, entre os quais o exame toxicológico, que vão ajudar a esclarecer as causas da morte.
Pedro foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, após vomitar e cair no chão, mas não resistiu e morreu no local. Os socorristas não identificaram marcas de violência no corpo do advogado. Sua carteira e seu celular não foram encontrados no local da ocorrência.
As novas imagens obtidas com testemunhas mostram Pedro com o estado alterado, com o corpo curvado, e também o momento do atendimento da equipe de emergência. Segundo o advogado contratado pela família de Pedro, Marcelo Martins Ferreira, o suspeito aparece nas imagens, observando o trabalho do Samu. Os vídeos foram entregues pela defesa à Polícia Civil, para análise.
O advogado também solicitou imagens de um caixa 24 horas no centro de São Paulo, onde houve uma tentativa de transação no valor de R$ 9.800 com o uso do cartão de crédito do advogado. A transação foi bloqueada pelo banco antes de ter sido realizada, por ter sido considerada suspeita. Ferreira afirma que as imagens devem esclarecer os autores do crime.
Conforme os boletins de ocorrência, aos quais o Estadão teve acesso, os dois seguiram de carro por aplicativo até a Rua Canário, em Moema, na zona sul. O amigo desembarcou no local por volta de 0h48, enquanto Pedro seguiria para um hotel na Vila Olímpia, também na zona sul, em outro veículo. Segundo o advogado da família, porém, a motorista do aplicativo o levou de volta à região da Vila Madalena.
Pedro foi localizado sem documentos e, por isso, não pôde ser identificado imediatamente. A família registrou seu desaparecimento após perder contato. A identificação só ocorreu na terça-feira, 14, após a realização de um exame papiloscópico (de impressões digitais).




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