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Primeira comandante, mãe e pedagoga: quem era a GCM de Vitória morta pelo ex-namorado policial

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A comandante da Guarda Municipal de Vitória Dayse Barbosa foi morta a tiros dentro de casa, em Vitória, no Espírito Santo, na madrugada de segunda-feira, 23. O principal suspeito é o ex-namorado dela, o policial rodoviário federal, Diego Oliveira de Souza, que se suicidou após cometer o crime.

A Polícia Civil do Estado identifica indícios de feminicídio e que Souza tenha planejado o assassinato da vítima. Com ele, foram encontrados objetos como alicate, escada, chave de corte, faca e álcool. Ao menos cinco cápsulas de munição foram encontradas no quarto de Dayse.

Além disso, familiares da comandante relataram à polícia que Souza era uma pessoa controladora, ciumenta e possessiva, e acreditam que ele matou a ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento.

Tratada como uma referência no combate à violência contra a mulher em Vitória, Dayse Barbosa entrou para a GCM em 2012 após prestar um concurso público. Antes de se tornar guarda municipal, ela se formou em Pedagogia e chegou a fazer pós-graduação em Segurança Pública Municipal.

Em 2023, Dayse se tornou a primeira comandante da Guarda Civil Municipal da capital capixaba. Durante os mais de 20 anos de história da instituição, o cargo sempre fora ocupado por homens, segundo a prefeitura local.

Nas redes sociais, ela costumava compartilhar a sua rotina e registrar a sua participação em ações da equipe de segurança na capital capixaba. Além disso, defendia não apenas o serviço da GCM, como também o papel da mulher em postos de liderança no trabalho.

"Confesso que é exaustivo e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi", diz texto publicado por ela, em fevereiro de 2024.

"Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória", acrescentou.

Mãe de uma menina de 8 anos, Dayse, de 37, dizia que o nascimento da filha era um dos acontecimentos mais importantes da sua vida. Ela perdeu a mãe aos 18 anos e, com frequência, destacava a importância da sua presença materna no desenvolvimento da filha.

"Ela é a minha vida e tento ser um exemplo, assim como minha mãe é para mim, mesmo não estando mais aqui comigo", disse Dayse, em entrevista para a prefeitura de Vitória, em 2024.

"Mamãe é minha maior referência, uma mulher simples que me ensinou a ter força, a ser persistente e ter autonomia. Ela foi essencial para eu me tornar a mulher que sou hoje. É a mesma formação que tento dar para a minha filha. Quero que ela cresça sabendo que pode fazer qualquer coisa", acrescentou a policial.

Entidades de segurança, políticos e colegas lamentaram a morte de Dayse e pediram por justiça. Em nota, a prefeitura de Vitória lamentou a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias. A administração destacou que Dayse teve uma trajetória marcada por "ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública".

Quem é Diego Oliveira de Souza?

Diego Oliveira de Souza era policial rodoviário federal e estava lotado na delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

O que disseram as instituições?

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde Souza trabalhava, lamentou profundamente as circunstâncias da ocorrência e destacou que possui "compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres."

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