O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida gerou reações no Brasil, e o promotor de Justiça do MP-SP Lincoln Gakiya avaliou o impacto da decisão em entrevista ao podcast O Assunto , da GloboNews.
Para Gakiya, a decisão norte-americana é negativa e pode trazer consequências ao país. O promotor classificou a mudança como preocupante ao afirmar que “é muito grave” e que “vai causar problemas” ao Brasil. Ele também disse não enxergar benefícios práticos na nova classificação das facções.
O promotor ainda alertou para um possível aumento de ações de inteligência e até militares no continente. Segundo ele, há risco de que os Estados Unidos adotem medidas mais agressivas: “Eu não vejo nenhum benefício prático que essa classificação possa trazer. Acho que há o risco muito grande dos Estados Unidos quererem fazer algum tipo de ação militar secreta aqui dentro do Brasil”.
Gakiya também destacou que a mudança pode afetar o compartilhamento de informações entre países. Ele explicou que investigações poderiam migrar para órgãos militares e de inteligência norte-americanos, o que reduziria a transparência: “Quando passa a ser classificado e tratado pela CIA e pelos militares, há o sigilo dessas informações, que passam a ser classificadas como secretos e ultrassecretos ou confidenciais”.
Por fim, o promotor apontou possíveis impactos no sistema financeiro brasileiro, caso a nova classificação seja aplicada de forma mais ampla. “Se a gente for levar ao pé da letra essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar bancos que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC”, afirmou Gakiya, ao citar riscos de efeitos econômicos e institucionais da decisão.



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