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Vendas de remédio para insônia aumentam no Brasil e casos de alucinações disparam

Zolpidem

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Vendas de remédio para insônia aumentam no Brasil e casos de alucinações disparam
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Está cada vez mais frequente relatos nas redes sociais de pessoas que tomam o remédio para insônia Zolpidem e estão tendo alucinações e dependências.

De acordo com o jornal O Globo, as vendas do Zolpidem aumentaram no Brasil assim como os relatos de alucinações. Segundo os especialistas, o remédio em si não é o problema, mas sim a forma errada de usar o medicamento para fins recreativos, especialmente entre os jovens, o que tem acendido um alerta em hospitais e consultórios.

Segundo a publicação, de 2017 até 2020 a venda do Zolpidem aumentou 121,5% no Brasil saltando de 10,5 milhões para 23,4 milhões de caixas vendidas. Este ano, apenas nos 6 primeiros meses, já foram vendidas 10,6 milhões do medicamento.

“Esse crescimento é em parte porque muitos médicos que prescreviam benzodiazepínicos, geração anterior de remédios para a insônia, passaram a indicar o Zolpidem. Mas também é pelo fácil acesso, que leva ao uso abusivo e inadequado, até mesmo de forma recreativa, o que é muito grave. E tem também essa característica de hoje as pessoas quererem ter tudo sob controle, até mesmo o adormecer, sendo que a realidade não é bem assim”, afirmou a coordenadora do Ambulatório de Sono do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Rosa Hasan, ao O Globo.

Entre os efeitos colaterais mais relatados está o sonambulismo. Rica Gomes Todeschini, 49, interrompeu a medicação após começar a levar na madrugada enquanto dormia. “Um dia ele [o marido] ficou cismado porque estava começando a ser quase todo dia [os quadros de sonambulismos], ele acordava para ir ao banheiro e eu não estava na cama. Então decidiu me procurar no ateliê, mas não encontrou. Na hora que ele abriu a porta de casa, o carro não estava na garagem. Era três horas da manhã”, contou.

Rica voltou para casa sem se lembrar de nada do que havia feito. “Ele me contou que eu tinha pegado o carro. Eu não sei para onde eu fui, não sei o que eu fiz, não sei se parei num boteco e bebi, não me lembro de nada. Fico com medo de ter feito algo errado, é muito perigoso. Liguei para o psiquiatra e ele mandou eu parar, mas aos poucos, porque pelo tempo que eu estava tomando não poderia interromper imediatamente. Nesse meio tempo, meu marido escondeu a chave do carro à noite”, relatou.

Para a Rosa, da USP, o remédio promove quadros de dependência e podem levar a quadros colaterais, mas destaca que é importante para casos de insônia em que há orientação médica. “Se é uma pessoa que toma direito, indicado pelo médico, na cama, sem ultrapassar o limite de quatro semanas, pontualmente, nós não temos problemas com a medicação. É um bom remédio, o problema é esse uso indevido”, diz a neurologista.

“Com o uso crônico, você pode desenvolver tolerância, ou seja, precisar de uma dose maior para ter o mesmo efeito, e ele começa a reduzir o tempo. Então a pessoa passa a acordar no meio da noite, por causa do Zolpidem, e toma outro”, explicou Ana.

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