BRASÍLIA - No dia seguinte à divulgação da lista de Fachin, o presidente Michel Temer disse que deixará o "Judiciário agir", e que "nada" poderá parar o governo. Esta quarta-feira no Palácio do Planalto começou com duas tentativas de agenda positiva: um evento em prol das mulheres e outro com medidas de vigilância sanitária.
Temer é citado em dois inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), mas tem "imunidade temporária" enquanto ocupa cargo de presidente, e não pode ser investigado por atos estranhos ao mandato. Oito ministros do governo — dois do Palácio do Planalto — estão citados na lista de pedidos de abertura de inquérito.
— Vou deixar o Judiciário agir — respondeu o peemedebista a jornalistas, quando foi questionado se estava preocupado com quase um terço dos ministros estarem implicados na lista de Fachin.
Na cerimônia em que anunciou a celeridade em exame de patentes na área de fármacos, Temer repetiu o discurso que fizera há meia hora, em evento "em prol das mulheres": que o governo não pode ficar parado, e que o Congresso Nacional e o Poder Judiciário têm de dar sequência aos trabalhos. Para o presidente, essa continuidade dos Poderes é um conceito simples da administração pública.
— Avançamos muito, temos que avançar mais. O governo não pode parar. E aqui mais uma vez revelo aquilo que é uma trivialidade, mas que deve ser repetido com ênfase: às vezes, os conceitos mais singelos da administração pública são esquecidos. Então, digamos assim, o Executivo executa, o Legislativo legisla e o Judiciário julga. E cada um vai exercendo suas funções. Nada deverá paralisar a atuação governamental — disse, depois de dizer mais cedo que o Brasil deve tomar "cuidado" para não haver paralisações dessas atividades.
Apesar de costumar viajar nos fins de semana e feriados, principalmente a São Paulo, Temer deve passar os dias de recesso da Páscoa em Brasília.

