A entidade que representa o setor de máquinas e equipamentos no País, Abimaq, divulgou nesta quinta-feira, 23, nota em que diz discordar da adoção da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, em resposta às tarifas adicionais anunciadas pelos americanos nesta quinta-feira, 23.
Conforme divulgou o governo dos Estados Unidos, o Brasil está no grupo dos países que terão alíquota de 12,5%, após concluírem investigações relacionadas à falha de diversas economias em impor e aplicar uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Na prática, o Brasil terá agora uma tarifa de 37,5% para vender alguns produtos aos EUA. Em resposta, o governo brasileiro se manifestou contra a decisão dos EUA e disse vai acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.
"A Abimaq reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países", diz a nota.
Segundo a entidade, o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia governamental e empresarial. "A Abimaq lembra ainda que a relação comercial entre os dois países é estratégica, o que reforça a importância de preservar os canais de negociação em vez de adotar medidas de confronto", acrescentam.
No comunicado, a Abimaq salientou que seguirá acompanhando os desdobramentos do tema e atuando junto com o governo e o setor produtivo para defender a indústria nacional de máquinas e equipamentos.
Também hoje, o presidente da entidade, José Velloso, divulgou vídeo dizendo que a motivação do governo americano em impor as tarifas de 12,5% a parceiros comerciais é uma decisão que tem cunho político. "Foi uma resposta da Suprema Corte norte-americana que lá em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação que é o trabalho forçado", disse Velloso.
Ele avalia ainda que a tarifa total de 37,5% agora retira ainda mais competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Segundo ele, a situação do setor vai "piorar" e a previsão é que haja queda entre 10% e 11% das exportações de máquinas e equipamentos aos EUA.



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