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Aneel autoriza reajuste de tarifa de três térmicas por alta dos combustíveis

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou nesta sexta-feira (8) a elevação dos custos de geração de energia de três térmicas no país para repasse do aumento dos preços dos combustíveis no Brasil e no exterior.

Movida a gás natural, a térmica Araucária, no Paraná, passará a receber R$ 2,553,20 por MWh (megawatt-hora) gerado, se tornando a usina mais cara do país. As térmicas Potiguar 1 e 3, a óleo diesel, tiveram seus preços alterados para R$ 1.379,89.

A elevação dos custos das usinas pressiona ainda mais a tarifa de energia em meio a um cenário de inflação de dois dígitos e mercado de trabalho ainda sofrendo os efeitos da pandemia. A fatura é dividida entre todos os consumidores de eletricidade do país.

Desde setembro, o consumidor vem pagando a bandeira de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos para ajudar a bancar a elevada geração térmica necessária para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

Em seu pedido à Aneel, a térmica Araucária alegou que a Petrobras ameaça interromper o suprimento de gás porque o preço pago não é suficiente para cobrir o custo de importação do combustível. A estatal é acionista do projeto, controlado pela companhia paranaense Copel.

Com a disparada da cotação internacional do gás, a Araucária já teve 10 reajustes de tarifa desde março, quando vendia energia a R$ 652,60 por MWh. A alta acumulada no período, portanto, é de 291%. Com o último reajuste, ela passa a usina William Arjona, no Mato Grosso do Sul, como a mais cara do país.

Já as usinas Potiguar 1 e 3 pediram recomposição tarifária pela alta recente do preço do diesel, que sofreu novo reajuste nas refinarias na semana passada. A nova tarifa autorizada pela Aneel representa aumento de quase 40% em relação aos valores atuais e valerá até o dia 31 de dezembro de 2021.

Em ambos os casos, os aumentos refletem a crise energética internacional, que está impulsionando as cotações internacionais do petróleo e do gás natural, e a desvalorização do real frente ao dólar, que pressiona ainda mais os preços internos dos combustíveis.

O petróleo está sendo negociado acima dos US$ 80 (cerca de R$ 440) por barril, nos maiores patamares desde 2018. Já o gás natural vem batendo sucessivos recordes diante de um descompasso entre oferta e demanda aquecida pela chegada do inverno no hemisfério norte e pela falta de carvão na China.

Com a seca sobre os reservatórios das hidrelétricas, as térmicas respondem atualmente por cerca de um quarto da geração de energia no país, o que justificou a adoção da bandeira de escassez hídrica, que ficará em vigor até abril de 2022 substituindo a bandeira vermelha nível 2, de R$ 9,49 por 100 kWh.

A tendência é que essa fonte, mais cara e poluente, continue tendo peso relevante na matriz: este mês, o governo realiza leilão para contratação emergencial de térmicas por cinco anos, para garantir o suprimento em 2022 e recuperar o nível dos reservatórios nos anos seguintes.

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