Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi
FRANKFURT, 11 Jun (Reuters) - O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos nesta quinta-feira, na esperança de conter a inflação antes que o aumento nos custos da energia, provocado pela guerra no Irã, se espalhe mais amplamente pela economia da zona do euro.
A medida, amplamente telegrafada, ocorre em um momento em que a inflação no bloco monetário de 21 países já está acima de 3%, bem acima da meta de 2% do BCE, e o crescimento econômico é muito fraco — um cenário que tem dividido os economistas quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva.
As autoridades do BCE, algumas das quais já haviam pressionado por um movimento em abril, seguiram adiante com a decisão, que foi acompanhada por projeções mais altas para a inflação neste ano e no próximo.
“A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de elevar os juros é sólida em uma série de cenários que mapeiam como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de médio prazo para a zona do euro”, afirmou o BCE em um comunicado à imprensa.
O aumento desta quinta-feira é o primeiro desde setembro de 2023 e eleva a taxa de depósito de referência do BCE de 2,0% para 2,25%.
Economistas esperavam amplamente a medida, afirmando que ela foi projetada principalmente para conter as expectativas de inflação e salvaguardar a credibilidade do BCE, após sua lentidão em reagir ao pico de inflação pós-pandemia em 2022. Vários observadores do BCE a caracterizaram como um “aumento preventivo” — uma medida de precaução que pode ser revertida caso as pressões sobre os preços diminuíssem.
Como de costume, o BCE não se comprometeu com nenhum movimento futuro, mantendo sua linha de longa data de que as decisões serão tomadas a cada reunião, dependendo dos dados que forem recebidos. Os mercados financeiros esperam mais dois aumentos ao longo do próximo ano, com o próximo previsto já para setembro.



Aviso