A alta das bolsas em Nova York e do petróleo é insuficiente para animar o Ibovespa, que vem de quatro quedas seguidas. Na segunda-feira, 20, o índice fechou em baixa de 0,20%, aos 173.371,35 pontos. Em meio à agenda esvaziada de indicadores no Brasil e no exterior, ficam no radar nesta terça-feira, 21, o tarifaço dos Estados Unidos a produtos brasileiros e pesquisas eleitorais. Além disso, o mercado espera pela divulgação dos dados operacionais do segundo trimestre da Vale, após o fechamento da B3.
Após abrir estável em 173.372,46 pontos e ter indefinição em seguida, renovou máxima em 173.719,50 pontos (+0,20%) e, depois, mínimas. A piora coincidiu com a aceleração dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e consequentemente máximas em alguns vencimentos dos juros futuros no Brasil.
Preocupações com a inflação global seguem no radar, em meio à alta do petróleo, devido à falta de acordo entre EUA-Irã, o que tende a dificultar o trabalho da política monetária mundial, inclusive no Brasil.
Leonardo Moura, CEO da Robbin, diz ter uma percepção cautelosa quanto a novos cortes de juros no Brasil. "A curva de juros está mais flat, em parte esperando a dinâmica eleitoral. A inflação não está cedendo tanto. Na ponta, vemos um varejo mais fraco e um consumo, também, com alguns dados não captando isso", diz
No foco desta terça está a tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos, que entra em vigor na quarta-feira (22). Nesta terça-feira, o governo federal começa a ouvir os setores afetados pelo tarifaço.
Ao mesmo tempo, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que, em apenas dois meses de vigência do acordo Mercosul-União Europeia (UE), as exportações brasileiras para os europeus cresceram R$ 10 bilhões, um aumento de 26% em comparação ao mesmo período de 2025.
Para os mercados, a questão das tarifas não mexe, pois o efeito real na atividade e na balança comercial pode não ser robusto, diz João Ferreira, sócio da One. "É mais pelo noticiário em si. Além do mais, o País busca outros parceiros."
Em Dalian, na China, o minério de ferro fechou em baixa de 1,12%. Já o petróleo sobe cerca de 2%, com o Brent a US$ 91 o barril. Os EUA e o Irã continuam a se atacar. Nesta terça, uma autoridade iraniana iniciou reuniões com mediadores no Paquistão, enquanto diplomatas tentam resgatar o acordo provisório entre os dois países.
Divulgada nesta terça-feira, a pesquisa Indexa mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa presidencial e, nos últimos dois meses, ampliou sua vantagem numérica contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário no pleito. O presidente da República tem 41% das intenções de voto contra 30% do senador. Já na pesquisa RealTime Big Data Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 42% de Flávio.
De acordo com Ferreira, da One, o tema da eleição ainda não influencia totalmente os ativos, mas isso pode acontecer mais à frente, à medida que forem definidos os candidatos oficialmente. "Lula à frente é preocupação para o mercado, por questões fiscais. A partir do mês que vem as pesquisas podem afetas", diz.
Apesar da indefinição do Ibovespa nesta terça e das quedas recentes, o mês de julho tem sido marcado pela retomada da entrada de capital externo na Bolsa brasileira, com saldo positivo de R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena. Segundo analistas, parte deve-se a uma correção e uma outra fração a fundamentos, como espaço para novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto pelo Banco Central.
Conforme William Jackson, economista-chefe de Mercados Emergentes da Capital Economics, é plausível que haja mais fluxo estrangeiro para o Brasil no curto prazo, dado que o País é - em termos líquidos - um beneficiário de preços mais altos de energia.
"Os principais riscos são se o conflito no Oriente Médio se intensificar a um ponto em que haja aversão a risco de uma maneira mais ampla, ou se houver mais medidas de estímulo pré-eleições que levantem preocupações sobre o quadro fiscal",diz Jackson.
Às 11h37 desta terça-feira, o Ibovespa cedia 0,50%, na mínima em 172.510,17 pontos. Vale caía 0,43% e Petrobras, em torno de 1%.



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