Por Saeed Azhar
NOVA YORK, 6 Abr (Reuters) - O presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, alertou nesta segunda-feira que a guerra no Irã representa um risco de choques nos preços do petróleo e de commodities, o que poderá manter a inflação alta e elevar as taxas de juros acima do que o mercado espera atualmente.
A afirmação está em uma carta anual aos acionistas, um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentar a pressão sobre o Irã, ameaçando atacar suas usinas de energia e pontes na terça-feira, caso o país não reabra o Estreito de Ormuz, uma importante via navegável.
Dimon, de 70 anos, que dirige o JPMorgan, o maior banco dos EUA, há duas décadas, também afirmou que o setor de crédito privado "provavelmente" não representa um risco sistêmico, apesar das recentes movimentações dos investidores para se afastarem desses fundos em meio a preocupações de que avanços de inteligência artificial prejudiquem os tomadores de empréstimo.
"Os desafios que todos enfrentamos são significativos", acrescentou Dimon, citando riscos geopolíticos como a guerra na Ucrânia, hostilidades mais amplas no Oriente Médio e tensões com a China.
"Agora, devido à guerra no Irã, enfrentamos ainda o potencial de choques significativos e contínuos nos preços do petróleo e das commodities, juntamente com a reestruturação das cadeias globais de suprimentos, o que pode levar a uma inflação mais persistente e, em última análise, a taxas de juros mais altas do que os mercados esperam atualmente."
O tempo dirá se a guerra com o Irã alcançará os objetivos dos EUA, disse Dimon, acrescentando que a proliferação nuclear continua sendo o maior perigo representado pelo Irã.
As preocupações com a inflação provocada pela guerra levaram os mercados a descartar, em grande parte, cortes nas taxas de juros nos EUA este ano, depois que a flexibilização monetária impulsionou ações para máximas históricas em 2025.
Na semana passada, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou seu pior trimestre desde 2022, pressionado desde o final de fevereiro pela guerra e o consequente aumento nos preços da energia.
Dimon afirmou que a economia dos EUA continuava resiliente, com consumidores ainda ganhando e gastando, embora com alguma fragilidade recente, e as empresas continuam saudáveis.
Mas ele alertou que a economia foi impulsionada por grandes quantidades de gastos do governo e estímulos anteriores, enquanto o aumento dos gastos com infraestrutura permaneceu sendo uma necessidade crescente.
O estímulo fiscal do "Grande e Belo Projeto de Lei" do presidente Donald Trump, as políticas de desregulamentação e os investimentos de capital impulsionados pela inteligência artificial são outros fatores positivos para a economia, disse Dimon.
CRÉDITO PRIVADO PODE NÃO SER RISCO SISTÊMICO
Dimon afirmou que o mercado de crédito privado de US$1,8 trilhão é relativamente pequeno. Mas, alertou ele, quando o ciclo de crédito enfraquecer, as perdas em todos os empréstimos alavancados serão maiores do que o esperado, visto que os padrões de crédito têm se enfraquecido modestamente em todos os setores.
O crédito privado também não costuma ter grande transparência ou critérios rigorosos de avaliação de empréstimos, aumentando a probabilidade de os investidores venderem se acharem que o cenário vai piorar, afirmou ele.
Na semana passada, a Blue Owl informou aos investidores que estava limitando os saques de dois fundos após um nível histórico de pedidos de resgate no primeiro trimestre, com preocupações relacionadas à inteligência artificial provocando um êxodo de investidores de seu fundo focado em tecnologia.
Dimon também aproveitou a carta para criticar duramente as regras de capital revisadas propostas pelos reguladores bancários dos EUA no mês passado, classificando alguns aspectos como ainda "absurdos".
O JPMorgan esteve entre os bancos que lutaram arduamente para diluir as versões preliminares de 2023 das chamadas regras de sobretaxa de Basileia 3 e GSIB (Bancos Sistemicamente Importantes a Nível Global).
Mas, nesta segunda-feira, Dimon disse que as propostas ainda eram "muito falhas", acrescentando que a sobretaxa do JPMorgan para GSIBs, uma camada extra de capital mantida por esses bancos, cairia apenas para 5,0%, um número que, segundo ele, punia seu sucesso e era "absurdo" e "anti-americano".
(Reportagem de Saeed Azhar)



