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Com apoio de outras categorias, petroleiros em greve fazem ato no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com apoio de outras categorias profissionais e políticos de oposição, os petroleiros em greve promoveram uma passeata contra a privatização da Petrobras nesta terça-feira (18), no centro do Rio.

O ato contou com representantes de professores, estudantes, profissionais de saúde e funcionários de estatais, como a Casa da Moeda e a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).

A greve dos petroleiros chegou ao 18º dia nesta terça. Na segunda (17), o ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra, declarou que o movimento é ilegal, mas a categoria decidiu manter a paralisação enquanto recorre da decisão.

Nesta terça, o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná determinou a suspensão das demissões na Araucária Nitrogenados (Ansa), subsidiária da Petrobras no Paraná, um dos motivos para a greve.

O protesto começou em frente à sede da Petrobras, no centro do Rio. De lá, também com o apoio de movimentos sociais, seguiram em passeata até os Arcos da Lapa, na região central da cidade.

No trajeto, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro e as privatizações. Reclamaram também da política de preços dos combustíveis, inserida na pauta da greve como maneira de atrair a população.

"A greve está num crescente, com muita adesão e estamos precisamos dialogar mais com a população. É um momento de tentar ganhar mais espaço na sociedade para tentar explicar nossa pauta", disse o diretor de comunicação da FUP, Alexandre Finamori.

A greve foi motivada pelo anúncio de demissões em uma fábrica de fertilizantes no Paraná. Os petroleiros acusam a Petrobras de descumprir acordo coletivo de trabalho ao anunciar os desligamentos sem negociação prévia.

A grande adesão tem como pano de fundo o programa de venda de ativos da estatal, que prevê a saída de alguns segmentos, como fertilizantes e a redução de sua participação no mercado de refino.

"A demissão em massa no Paraná é um exemplo para todo petroleiro do que pode acontecer se a base em que ele está [lotado] for vendida", argumentou o diretor da FUP. É a maior greve da categoria desde 1995, quando os petroleiros pararam por 32 dias.

A oposição espera que o movimento sirva como estopim para novas mobilizações contra o governo. No ato desta terça, o coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Guilherme Boulos, disse que os petroleiros "estão dando um exemplo".

"Essa greve não é só pelas demissões no Paraná ou pela garantia do emprego dos petroleiros. Ela está tendo uma repercussão maior porque é uma greve contra a privatização da maior empresa pública do Brasil", afirmou.

A Petrobras diz que cumpriu o acordo coletivo ao comunicar as demissões ao sindicato dos químicos do Paraná e que não poderia absorver os trabalhadores paranaenses por que eles não foram admitidos em concurso.

Na segunda, a estatal notificou que os sindicatos para que cumprisse a decisão de Gandra e voltassem ao trabalho. Segundo a FUP, cerca de 21 mil trabalhadores em 121 unidades operacionais da companhia aderiram à greve.

A estatal e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) dizem que ainda não há impactos na produção de petróleo e combustíveis.

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