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Dólar cai 0,32%, a R$ 4,98, com alta do petróleo após impasse em negociações de paz

Estadão

O dólar abriu a semana em queda e fechou a segunda-feira, 27, abaixo do nível psicológico de R$ 5,00 pela segunda sessão consecutiva. A nova rodada de alta dos preços do petróleo, na esteira do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, impulsionou a moeda brasileira, apesar do apetite ao risco reduzido no exterior e do tropeço do Ibovespa.

Analistas destacam que o provável desenlace da Super Quarta, 29, será favorável ao real, com manutenção de amplo diferencial entre juros internos e externos. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), na última reunião de Jerome Powell como presidente, tende a manter os juros inalterados e alertar para a inflação ainda elevada. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic novamente em 0,25 ponto porcentual, para 14,50% ao ano.

Em baixa desde a abertura dos negócios, o dólar encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,32%, a R$ 4,9821, após mínima de R$ 4,9642.

A moeda norte-americana recua 3,79% em abril, depois de alta moderada em março (0,87%). No ano, o dólar acumula baixa de 9,23% em relação ao real, que exibe o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas.

O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, afirma que não houve, nos últimos dias, mudança do cenário que vem amparando a valorização do real. Além da tendência global de dólar mais fraco, a moeda brasileira é favorecida pela alta dos preços do petróleo e pela atratividade do carry trade.

"É preciso ver como o petróleo vai se comportar quando a guerra acabar. Mas o choque de energia traz consequências inflacionárias em todo o mundo, o que vai levar a uma política monetária mais conservadora. Isso combina com a visão do real beneficiado pelo diferencial de taxa de juros", afirma Lima, ressaltando que, passado o choque inicial de aversão ao risco com a eclosão da guerra, as moedas emergentes se valorizaram.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY apresentava ligeiro recuo no fim da tarde, ao redor dos 98,490 pontos, após mínima de 98,214 pontos. A coroa norueguesa avançou cerca de 0,20%, impulsionada pelo petróleo. No mês, o Dollar Index acumula baixa superior a 1,30%. Entre divisas emergentes de países exportadores de commodities, destaque nesta segunda para o real, o dólar australiano e o dólar canadense.

Os preços do petróleo voltaram a subir com o fracasso da segunda rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, durante o último fim de semana. O contrato do Brent para julho, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 2,58%, a US$ 101,69 o barril. O Goldman Sachs elevou a previsão para o preço do Brent no quarto trimestre de US$ 80 para US$ 90 o barril.

Por aqui, à tarde, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o programa de renegociação de dívidas, que está sendo chamado informalmente de Desenrola 2.0, será levado na terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anúncio ainda nesta semana. Após alinhamento final do programa em reunião com presidentes dos bancos, o ministro adiantou que haverá descontos de até 90% nas renegociações, assim como a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação das dívidas.

Lima, da Franklin Templeton Brasil, afirma que os fatores domésticos estão, neste momento, em segundo plano e não têm impacto relevante na formação da taxa de câmbio. "Nada disso está realmente "fazendo preço'. O mercado está totalmente voltado para o cenário externo", afirma.

Pela manhã, o Banco Central vendeu 30 mil contratos de swap cambial (US$ 1,5 bilhão), de uma oferta total de 50 mil contratos (US$ 2,5 bilhões) em leilão de rolagem. Se anunciar o início da rolagem de junho sem tentar vender os 20 mil contratos não absorvidos nesta segunda, o BC deixará vencer US$ 1 bilhão em swaps vincendos em maio. Operadores afirmam que parece não haver demanda por hedge cambial, o que permite à autoridade monetária reduzir o estoque de swaps cambiais sem adicionar pressão sobre o mercado de câmbio.

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